‘Julho Roxo’ alerta para o câncer de bexiga: identificar sinais precoces pode salvar vidas

Julho, 2025 – Qualquer sinal do corpo de que algo não vai bem deve ser levado a sério e investigado com orientação médica. Ainda assim, muitas pessoas só procuram ajuda diante de sintomas mais intensos. No caso do câncer de bexiga, essa demora pode comprometer o diagnóstico precoce e as chances de cura. Entre os sinais de alerta estão dor ou ardência ao urinar, urgência e aumento da frequência urinária. No entanto, o sintoma mais importante, e muitas vezes ignorado, é a presença de sangue na urina, mesmo que em pequenas quantidades ou de forma intermitente. Esse sinal deve motivar a busca imediata por um especialista.

 

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa é de 11.370 novos casos de câncer de bexiga por ano no Brasil, entre 2023 e 2025. A doença é mais comum em homens (7.870 casos anuais), mas também afeta mulheres (3.500 casos). A campanha “Julho Roxo”, voltada à conscientização sobre a patologia, busca dar visibilidade ao tema e incentivar o diagnóstico precoce.

 

De acordo com o oncologista André Sasse, coordenador médico do Vera Cruz Oncologia, em Campinas (SP), o principal sinal de alerta é o sangue na urina. “Sempre deve ser investigado. Outros sinais, como dor ao urinar, urgência ou aumento da frequência, também merecem atenção, mas muitas vezes são confundidos com infecções ou quadros menos graves, o que pode atrasar o diagnóstico e levar à descoberta da doença em estágios avançados”, explica.

 

O câncer de bexiga ocorre quando células do revestimento interno do órgão, chamadas de uroteliais ou transicionais, passam a se multiplicar de forma desordenada. “Como a bexiga está em contato com a urina, os tumores costumam se manifestar como massas visíveis dentro do órgão”, diz o médico.

 

O tabagismo é o principal fator de risco. “Substâncias cancerígenas do cigarro são absorvidas e eliminadas pelos rins, acumulando-se na bexiga e, com o tempo, podem causar tumores”, afirma Sasse. A idade também aumenta a probabilidade, com a maioria dos casos ocorrendo após os 60 anos. Além disso, exposição ocupacional a produtos químicos, como os usados nas indústrias de borracha, couro e tintas, também está associada ao aumento do risco.

 

O diagnóstico, geralmente, começa com exames de imagem, como ultrassom ou tomografia. Se houver alterações suspeitas, é indicada a cistoscopia, exame em que o médico utiliza um tubo fino com câmera para visualizar o interior da bexiga e coletar amostras para biópsia.

 

Quando o tumor está restrito à superfície da bexiga, o tratamento costuma ser feito por meio de ressecção transuretral (RTU), uma cirurgia minimamente invasiva que remove o tumor. Em casos mais agressivos, pode ser necessária a aplicação de quimioterapia ou imunoterapia intravesical, diretamente na bexiga, para evitar a recorrência; se o tumor invade camadas mais profundas, como a musculatura da bexiga, pode ser indicada a cistectomia radical, ou seja, a retirada completa do órgão. Nesse caso, a reconstrução do sistema urinário pode ser feita com segmentos do intestino ou com o uso de bolsas coletoras externas, o que pode impactar a qualidade de vida do paciente.

 

“A cirurgia radical é indicada quando o tumor invade o músculo ou tecidos próximos. Em muitos casos, também é necessário associar quimioterapia antes ou depois da cirurgia para reduzir o risco de metástase ou retorno da doença”, explica o oncologista. Nos casos mais graves, os avanços da imunoterapia sistêmica têm aumentado significativamente a sobrevida dos pacientes. “Conseguimos dobrar ou até triplicar o tempo de vida de quem tem a doença em estágio metastático. Alguns pacientes chegam à cura, outros vivem por muitos anos com qualidade de vida, o que mostra o quanto a medicina tem evoluído”.

 

Pesquisas recentes investigam o uso de dispositivos implantáveis que liberam quimioterapia de forma contínua dentro da bexiga, oferecendo novas possibilidades terapêuticas com menos efeitos colaterais.

 

Apesar das inovações, o oncologista reforça que o diagnóstico precoce é decisivo para o sucesso do tratamento. “O câncer de bexiga superficial tem alta taxa de cura, acima de 90%, com métodos pouco invasivos. Por isso, é essencial que tanto a população quanto os profissionais de saúde estejam atentos aos sinais da doença, principalmente à presença de sangue na urina”, finaliza.

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