A Colômbia prepara-se para viver um momento histórico no cenário da saúde mundial. Durante o Congresso Mundial de Hospitais da International Hospital Federation (IHF), realizado em Genebra, no último mês de novembro, o país celebrou o anúncio de que assumirá a presidência da entidade global, uma conquista que reforça o protagonismo colombiano no setor hospitalar e a influência crescente de suas instituições.
À frente dessa transição está a Associação Colombiana de Hospitais e Clínicas (ACHC), representada por seu diretor-geral e presidente Juan Carlos Giraldo Valencia, e pelo vice-presidente da Junta Diretiva, Dr. Henry Gallardo, diretor da Fundação Santa Fé de Bogotá.
Em entrevista exclusiva à Revista Visão Hospitalar, Giraldo trouxe reflexões profundas sobre o atual cenário da saúde na Colômbia, os desafios compartilhados mundialmente e as prioridades que orientarão essa nova fase de liderança global.
Um setor robusto e diverso: o papel da ACHC na saúde colombiana
A ACHC reúne hoje cerca de 350 instituições, entre hospitais públicos e clínicas privadas, configurando um modelo misto que representa aproximadamente um terço de toda a capacidade hospitalar instalada no país. Dos 101 mil leitos existentes na Colômbia, 33% pertencem às instituições filiadas.
“Essas organizações se tornaram referência pela qualidade assistencial, pela capacidade de inovação e pelo compromisso com o fortalecimento do sistema de saúde colombiano, um sistema que enfrenta desafios complexos e comuns a diversos países”, destaca Giraldo Valencia.
Sustentabilidade: o maior desafio da saúde mundial
Para o diretor-geral e presidente da ACHC, o principal ponto de atenção hoje diz respeito à sustentabilidade financeira do sistema hospitalar. A preocupação é crescente. “Vivemos um momento em que precisamos garantir que os recursos disponíveis consigam realmente atender às necessidades da população. É fundamental ampliar as fontes de financiamento para tornar o sistema sustentável”.
Além da questão financeira, outro eixo crítico destacado por ele é a sustentação do talento humano em saúde. O país observa aumento na rotatividade e na migração de profissionais, fenômeno que pressiona a manutenção da qualidade assistencial. “Precisamos fortalecer as políticas sanitárias para garantir condições adequadas, valorização e permanência do talento humano. Sem as pessoas, nenhum sistema de saúde se mantém.”
Tecnologia, inteligência artificial e a reinvenção da capacidade instalada
Outro desafio essencial é a incorporação de tecnologias emergentes, incluindo ferramentas de inteligência artificial, que já começam a alterar fluxos, rotinas e decisões clínicas.
Giraldo reforça que a adoção tecnológica precisa estar integrada ao funcionamento das instituições, ampliando sua capacidade instalada e fortalecendo a entrega de valor à população. “Temos que evoluir sobre o que já construímos, modernizar nossas estruturas e integrar novas tecnologias para oferecer melhores serviços e garantir segurança e eficiência.”
Presença da Colômbia no Congresso Mundial da IHF
Segundo Giraldo Valencia, a presença colombiana no Congresso da IHF não é apenas estratégica, é também transformadora. O evento possibilita um olhar global sobre problemas compartilhados, tendências emergentes e respostas implementadas em diferentes regiões.
“Precisamos entender como outros países estão enfrentando temas como mudanças demográficas, perfis epidemiológicos, financiamento e demandas crescentes. O congresso nos permite aprender e trocar experiências de forma profunda”, frisa. Ele destacou ainda a diversidade de perspectivas apresentadas, o que reforça a importância do diálogo internacional para a evolução dos sistemas de saúde.
Colômbia à frente da IHF: um marco histórico
Um dos momentos mais celebrados pela delegação colombiana durante o Congresso Mundial de Hospitais foi o anúncio da transição de governo da IHF, na qual a ACHC assume oficialmente a presidência da federação internacional.
Essa liderança será exercida pelo Dr. Henry Gallardo, renomado gestor e diretor da Fundação Santa Fé de Bogotá, uma das instituições mais reconhecidas da América Latina. Para Giraldo Valencia, este é um dos momentos mais significativos da história recente da saúde colombiana.
“Estamos muito honrados. Este é um marco histórico para nosso país. Estar à frente da IHF nos permitirá ampliar nossa participação global, compartilhar nossas experiências e aprender ainda mais com o mundo.”
Perspectivas futuras
Ao assumir papel central na maior federação hospitalar do planeta, a Colômbia reforça seu compromisso com a cooperação internacional, a inovação, a melhoria contínua e a defesa da sustentabilidade dos sistemas de saúde. A visão apresentada por Giraldo Valencia demonstra que, apesar dos desafios, o país segue firme na construção de um modelo hospitalar mais robusto, conectado e preparado para o futuro.