Maior evento do setor hospitalar mundial aponta desafios e tendências para os próximos anos

A cidade de Genebra, na Suíça, recebeu, entre os dias 10 e 13 de novembro, uma das maiores edições já realizadas do Congresso Mundial de Hospitais, promovido pela International Hospital Federation (IHF). A Revista Visão Hospitalar, mais uma vez, marcou presença in loco, acompanhando, registrando e dialogando com os principais players e líderes globais sobre os desafios e as transformações em curso dos diferentes sistemas de saúde.

 

Com 1.500 participantes, 300 palestrantes e representantes de mais de 80 países, a 48ª edição reafirmou a força da colaboração global em temas como sustentabilidade, fortalecimento dos sistemas de saúde, inteligência artificial, qualidade e acreditação e governança hospitalar.

 

O CEO da IHF, Ronald Lavater, chamou atenção para o grande engajamento da comunidade internacional nesta edição, e apontou o último Congresso, realizado no Brasil, como um marco para a instituição. “O Congresso do Rio de Janeiro, em 2024, elevou o sarrafo, nos forçando a organizar um evento no mínimo no mesmo nível. A Federação Brasileira de Hospitais [FBH] reuniu pessoas de mais de 70 países e criou um intercâmbio extraordinário, inclusive entre os próprios estados da Federação”, elogiou.

 

Nova diretoria

A edição deste ano do Congresso também marcou a posse da nova presidência do colegiado. Henry Gallardo, diretor da Fundação Santa Fé de Bogotá (Colômbia), colocou o país sulamericano em destaque mundial ao assumir a presidência da IHF.

 

Para a Visão Hospitalar, ele apresentou os quatro pilares que orientarão a sua gestão internacional: liderança e fortalecimento institucional; intercâmbio global de conhecimentos; ampliação da voz dos hospitais nas reformas setoriais; e caminho para zero impacto ambiental no setor saúde.

 

“Tudo isso só é possível colocando as pessoas no centro profissionais, pacientes, famílias e comunidades. São elas que constroem o dia a dia da atenção em saúde”, ressaltou Gallardo.

 

Intercâmbios

Temas como qualidade assistencial e segurança do paciente estiveram no epicentro dos principais painéis. O médico japonês Shin Ushiro, vice-presidente de Segurança do Paciente do Centro Médico Universitário de Tóquio, celebrou sua entrada no Conselho Internacional da IHF.

 

“Quero aprender com as soluções que líderes mundiais estão trazendo para desafios ambientais, humanos e financeiros. Temos muitos desafios no Japão, e essa troca é essencial”, disse Shin Ushiro.

 

Representando o Brasil, o vice-presidente da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), Daniel Beltrammi, reforçou o papel e os avanços proporcionados pela instituição que gerencia 45 hospitais universitários federais uma das maiores redes de hospitais universitários do mundo.

 

“A participação no Congresso Mundial permite que a agenda brasileira e latino-americana componha o pensamento estratégico da rede hospitalar mundial”, destacou Beltrammi. “A EBSERH é hoje um dos maiores provedores públicos de prontuários eletrônicos hospitalares. Estamos preparando nossa atuação para Seul 2026 com foco em sustentabilidade, cuidado centrado nas pessoas e saúde digital”, acrescentou.

 

Sustentabilidade

Na esteira da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), os painéis que trataram de sustentabilidade receberam uma atenção especial durante o Congresso Mundial. Representando o setor hospitalar durante a maior cúpula sobre mudanças climáticas do planeta, o vice-presidente da Federação Brasileira de Hospitais (FBH), Graccho Alvim, levou para a plenária da IHF os temas discutidos na Conferência, em Belém.

 

“Entrevistamos líderes internacionais na COP30, visitamos o complexo de Belém e coletamos conteúdos estratégicos para o Geneva Sustainability Center e para a IHF. Foi uma experiência enriquecedora, já que pudemos conversar  com representantes da China, da Indonésia, da Tailândia, da Malásia, da Alemanha, da Itália e do Brasil. A sustentabilidade hospitalar é uma agenda global, e o setor hospitalar não pode se privar da discussão”, destacou Alvim.