Identificação do clado 1b reacende atenção para formas de transmissão, papel da medicina laboratorial e necessidade de informação clara à população
A confirmação do segundo caso da nova cepa do vírus Mpox no Brasil, registrada no estado de São Paulo, reforça o alerta das autoridades de saúde para a vigilância epidemiológica e a importância do diagnóstico precoce. O caso envolve um homem de 39 anos, residente em Portugal, que apresentou sintomas após viagem internacional, foi atendido e evoluiu de forma favorável, sem registro de transmissão secundária até o momento.
De acordo com Celso Granato, médico infectologista e patologista clínico da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML), a nova cepa identificada, classificada como clado 1b, é geneticamente distinta das variantes que circulam com maior intensidade no país nos últimos anos. “Este é o segundo registro da cepa no Brasil – o primeiro ocorreu em 2025 – e, embora não indique surto ou transmissão sustentada, o episódio reforça a necessidade de monitoramento contínuo, especialmente em grandes centros urbanos e pontos de entrada internacional”, reforça o especialista.
A Mpox é uma doença viral aguda causada pelo Orthopoxvirus e permanece sob vigilância global desde que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou emergência de saúde pública internacional. A transmissão ocorre principalmente por contato direto com lesões cutâneas ou mucosas, fluidos corporais e objetos contaminados, como toalhas e roupas de cama. Em alguns casos, pode ocorrer durante relações sexuais ou contato íntimo, sobretudo quando há lesões na região genital ou oral.
Granato explica que a Mpox pode ser transmitida em contextos de intimidade, mas não deve ser classificada como uma infecção sexualmente transmissível exclusiva. “A principal forma de contágio é pelo contato direto pele a pele com as lesões”, ressalta, acrescentando que o período de incubação da Mpox varia entre 5 e 21 dias. Os sintomas iniciais incluem febre, dor de cabeça, mal-estar e aumento de gânglios, seguidos pelo surgimento de lesões cutâneas características, que evoluem de forma uniforme e ajudam a diferenciar a doença de outras infecções, como a catapora.
A medicina laboratorial desempenha papel central no enfrentamento da Mpox. O diagnóstico é feito principalmente por meio do PCR em tempo real, técnica molecular capaz de identificar o DNA viral com alta precisão. “Esse é o método mais confiável e seguro, utilizado em laboratórios de referência como Instituto Adolfo Lutz, Fiocruz e Evandro Chagas, além da rede privada”, afirma Granato. O sequenciamento genômico também permite identificar variantes específicas e apoiar as estratégias de vigilância.
Apesar da existência de vacina eficaz contra a Mpox, a disponibilidade ainda é limitada no Brasil, sendo priorizada para contatos próximos de casos confirmados e grupos de maior risco. Para a SBPC/ML, o registro do novo caso reforça que informação qualificada, vigilância ativa e diagnóstico precoce continuam sendo as principais ferramentas para conter a disseminação da doença, proteger a população e evitar alarmismos desnecessários.