No Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), mais de 170 mil pessoas estão atualmente em diálise, número que cresce ano após ano., mas as técnicas endovasculares melhoram qualidade de vida desses pacientes

A doença renal crônica é um importante problema de saúde pública que afeta milhares de pacientes em todo o país. Caracterizada pela perda progressiva da função dos rins, a doença requer, como parte do tratamento a hemodiálise.

 

O procedimento consiste na colocação de um acesso venoso em local de fluxo sanguíneo elevado. O sangue é então depurado em uma máquina e devolvido ao corpo. O tempo e a quantidade de sessões por semana dependem do estadiamento da doença renal crônica.

 

A doença renal crônica é mais frequente em pacientes hipertensos, diabéticos, que usam anti-inflamatórios não hormonais indiscriminadamente ou com histórico familiar de insuficiência renal.

 

O uso de cateter como acesso venoso é o mais comum, mas também o que apresenta mais problemas. Estudo conduzido por profissionais de enfermagem, publicado na Revista da Escola de Enfermagem da USP¹, apontou que muitos dos eventos adversos relacionados à hemodiálise são de cateter obstruído por coágulo sanguíneo ou por infecção. As complicações envolvendo o cateter podem ser graves e prejudicar o tratamento do paciente.

 

Levando-se em conta que, segundo a OMS, há 133 mil pessoas no mundo que precisam de diálise – aumento de 33% em 10 anos – e esse número deve triplicar até 2030, é preciso buscar formas de melhorar a via de acesso do tratamento.

 

Segundo o cirurgião vascular Dr. Caio Focássio, Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular da capital paulista, isso é possível por meio de uma técnica endovascular que pode aumentar a expectativa e a qualidade de vida do paciente.

 

“É uma técnica dentro da cirurgia vascular que constrói a fístula, que é o nosso acesso, e a técnica endovascular faz com que ela se mantenha ativa por mais tempo”, explica o médico. Dr. Caio conta ainda que o procedimento é feito, geralmente, no braço do paciente. “Em dois anos a fístula pode fechar, mas há técnicas para mantê-la aberta por mais tempo”, diz o médico.

 

“Com as técnicas endovasculares, é possível triplicar a vida útil, assistindo esse acesso periodicamente e mantendo a fístula ativa com consultas regulares ao médico vascular”, conclui Dr. Caio.