Apenas 10% dos hospitais brasileiros operam no modelo de saúde baseada em valor

Pesquisa Ibravs/LEK Consulting indica que transição para modelo baseado em valor avança lentamente no Brasil e depende de mudanças estruturais

A saúde baseada em valor, mais conhecida como VBHC (Value-Based Healthcare), tem ganhado espaço nas discussões estratégicas do setor, mas sua aplicação prática no Brasil ainda é limitada. Um estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Valor em Saúde (Ibravs), em parceria com a LEK Consulting, indica que apenas 10% dos hospitais brasileiros operam nesse modelo.

A proposta representa uma mudança estrutural e busca sair da lógica de pagamento por volume de procedimentos para priorizar os resultados clínicos obtidos pelos pacientes em relação aos custos da assistência. O conceito parte da ideia de que o valor em saúde deve ser medido pela efetividade ao longo da jornada do paciente, e não pela quantidade de atendimentos realizados.

Na prática, a maioria dos hospitais brasileiros ainda adota modelos intermediários, como pacotes de preço fixo, que não necessariamente consideram desfechos clínicos. O levantamento do Ibravs e da LEK Consulting também aponta que 60% dos executivos do setor reconhecem a importância estratégica do VBHC, embora sua implementação enfrente entraves estruturais. Entre os principais desafios estão a fragmentação do cuidado e a dificuldade em mensurar resultados clínicos de forma padronizada.

O portal especializado Saúde Business destaca que um dos principais obstáculos está no alinhamento de interesses entre operadoras e prestadores. O modelo de saúde baseado em valor exige compartilhamento de riscos e maior colaboração entre as partes, o que ainda contrasta com a lógica predominante no setor. Outro ponto crítico é a confusão entre redução de custos e geração de valor. Cortes financeiros isolados, sem impacto positivo nos desfechos clínicos, não caracterizam VBHC. O modelo pressupõe ganhos sustentáveis para todo o sistema, com foco no paciente.

O estudo do Ibravs e da LEK Consulting também ressalta a importância de incentivos regulatórios e governamentais para acelerar essa transição. No Brasil, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) já possui iniciativas como o Projeto Parto Adequado e o OncoRede, ainda de alcance limitado. A perspectiva é de avanço gradual do VBHC até 2030, impulsionado pela necessidade de tornar o sistema de saúde mais eficiente e orientado a resultados.