Governança Clínica: Pilar Estratégico para a Excelência e Segurança no Cuidado em Saúde

A governança clínica consolidou-se como um dos conceitos mais transformadores na gestão da saúde contemporânea. Originada no Reino Unido no final da década de 1990, no sistema NHS, ela representa um framework abrangente que integra liderança, cultura organizacional, processos assistenciais, uso de evidências e, principalmente, o engajamento ativo de pacientes e famílias. No Brasil, com o avanço da acreditação hospitalar e a maturação dos processos de Acreditação (que impulsionaram o tema), a governança clínica deixou de ser um tema restrito a especialistas para se tornar uma estratégia essencial para qualquer organização que busca excelência no cuidado.

 

Diferente de modelos puramente administrativos, a governança clínica coloca o paciente no centro de todas as decisões. Ela abrange desde a definição de responsabilidades clínicas até a criação de mecanismos de accountability, passando pela gestão de riscos, auditoria clínica, educação permanente e melhoria contínua. Mas vale lembrar que essas temáticas podem variar, uma vez que cada orgnização de saúde precisa identificar quais são os pilares do seu próprio Framework de Governança Clínica (incluindo tópicos como experiência do paciente, gerenciamento de protocolos, entre outros). Seu objetivo principal é garantir que os serviços sejam seguros, eficazes, centrados nas pessoas e com os melhores desfechos para o paciente.

 

Vivian Giudice, CEO do Grupo IBES, resume bem essa visão: “A governança clínica não é apenas um conjunto de regras; é a cultura que transforma a liderança em resultados tangíveis para o paciente, promovendo excelência sustentável em toda a organização.”

 

Essa perspectiva é reforçada por Alexia Costa, CSO do Grupo IBES: “A participação ativa dos pacientes e famílias na governança clínica não é apenas desejável — é essencial para construir sistemas de saúde mais seguros, humanizados e eficazes, onde a voz do paciente orienta as decisões.”

 

No contexto brasileiro, a governança clínica ganhou impulso com a publicação da Portaria nº 529/2013, que instituiu o Programa Nacional de Segurança do Paciente, e com a evolução do Manual de Acreditação da Organização Nacional de Acreditação (ONA) e a chegada da Acreditação Britânica CHKS ao Brasil, com base total em governança clínica e totalmente alinhada aos preceitos do NHS. Organizações que investem seriamente nesse modelo conseguem reduzir eventos adversos, otimizar fluxos assistenciais, melhorar a satisfação dos pacientes e fortalecer a cultura de segurança entre os profissionais.

 

Os pilares clássicos da governança clínica — eficácia clínica, gestão de riscos, envolvimento de pacientes e público, gestão de pessoas, educação e treinamento, auditoria clínica, pesquisa clínica e transparência (ou outros, como citamos anteriormente) — devem estar integrados à estratégia institucional. Não basta ter protocolos bem escritos se não houver liderança comprometida e mecanismos de monitoramento contínuo. Da mesma forma, a participação dos pacientes não pode ser simbólica: ela precisa ser estruturada por meio de conselhos consultivos, pesquisas de experiência, comitês de segurança e canais efetivos de escuta.

 

Instituições brasileiras de referência já demonstram resultados concretos. Hospitais com programas maduros de governança clínica relatam redução significativa de infecções hospitalares, quedas e eventos relacionados a medicamentos. Mais importante: observam maior engajamento do corpo clínico e sensação de pertencimento por parte dos pacientes e famílias, além do envolvimento sistemático da alta direção nos assuntos assistenciais.

 

Entretanto, implementar governança clínica de forma efetiva ainda enfrenta desafios no Brasil. A fragmentação do sistema de saúde, a rotatividade de profissionais, a pressão por produtividade e a falta de investimentos em capacitação são barreiras recorrentes. Superá-las exige visão estratégica de longo prazo, alinhamento entre governança corporativa e governança clínica e, sobretudo, liderança que modele os comportamentos desejados.

 

O Grupo IBES, por meio da Acreditação Britânica CHKS, tem contribuído ativamente para disseminar boas práticas de governança clínica em todo o país. Acreditamos que a transformação da saúde brasileira passa necessariamente pela consolidação dessa cultura, onde qualidade e segurança deixam de ser metas isoladas para se tornarem o modo padrão de operar.

 

Investir em governança clínica é investir na segurança e na confiança de cada paciente atendido. Mais informações: www.grupoibes.com.br

 

Alexia Costa é Chief Scientific Officer  Grupo IBES – Instituto Brasileiro de Excelência em Saúde