QUALIDADE Segurança do paciente entra em nova fase no Brasil e mobiliza especialistas em congresso nacional

Publicação da Política Nacional de Qualidade e Segurança do Paciente impulsiona debate sobre governança, cultura organizacional e redução de riscos na assistência

 

A segurança do paciente voltou ao centro das discussões sobre a qualidade da assistência em saúde no Brasil. A publicação da Política Nacional de Qualidade e Segurança do Paciente (PNQSP), em junho deste ano, reposicionou o tema como prioridade estratégica para gestores, profissionais e instituições, ampliando a responsabilidade dos diferentes atores envolvidos na prestação do cuidado.

 

Nesse contexto, a Sociedade Brasileira para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente (SOBRASP) realizará, entre os dias 28 e 30 de novembro, em São Paulo, a quarta edição do Congresso SOBRASP, encontro que deverá reunir especialistas brasileiros e internacionais para discutir os desafios da implementação prática das novas diretrizes em sistemas de saúde cada vez mais complexos.

 

Com o tema “Cuidado seguro e confiável: desafios e soluções em sistemas complexos”, o evento acontece em um momento considerado decisivo para a consolidação da agenda de qualidade assistencial no país. Embora a nova política nacional represente um avanço regulatório relevante, especialistas alertam que o principal desafio será transformar diretrizes em mudanças concretas na rotina dos serviços de saúde.

 

“A publicação da política nacional representa um marco importante para o setor. O desafio agora é garantir que esses princípios se traduzam em práticas efetivas, capazes de alcançar os diferentes contextos assistenciais e fortalecer a qualidade do cuidado prestado à população”, afirma Paola Andreoli, presidente da SOBRASP.

 

Ao longo de três dias, o congresso promoverá debates sobre segurança do paciente, governança clínica, gestão de riscos, cultura justa, liderança em saúde, inovação, saúde baseada em evidências e fortalecimento de organizações altamente confiáveis. A programação também abordará mecanismos de aprendizagem organizacional e estratégias para redução de eventos adversos em ambientes assistenciais.

 

A discussão ganha relevância em um cenário em que instituições de saúde enfrentam desafios crescentes relacionados à complexidade assistencial, à incorporação de novas tecnologias, à pressão por eficiência operacional e à necessidade de garantir experiências mais seguras para pacientes e profissionais.

 

Segundo Paola Andreoli, a construção de sistemas seguros depende menos de ações isoladas e mais da capacidade institucional de aprender continuamente com erros, identificar vulnerabilidades e desenvolver mecanismos permanentes de prevenção.

 

“O cuidado seguro exige organizações preparadas para gerenciar riscos, responder a falhas, apoiar seus profissionais e envolver pacientes e familiares nos processos assistenciais. Trata-se de uma responsabilidade compartilhada que deve ser incorporada à estratégia das instituições de saúde”, destaca.

 

Além da programação científica, o congresso pretende aproximar gestores, pesquisadores, profissionais assistenciais, representantes da indústria, instituições de ensino e formuladores de políticas públicas, fortalecendo o intercâmbio de experiências e a disseminação de práticas voltadas à melhoria contínua da assistência.

 

A expectativa da organização é que o encontro contribua para acelerar a implementação da nova agenda regulatória brasileira e fortaleça a cultura de segurança como elemento estruturante da qualidade do cuidado nos diferentes níveis de atenção à saúde.

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