O atendimento humanizado e centrado na gestante é a chave para reduzir os índices, cujas mortes poderiam ser evitadas em 92% das vezes

Para alertar a sociedade sobre a importância de debater o tema e promover políticas públicas de assistência e acolhimento que garantam o bem-estar materno e fetal, o dia 28 de maio foi instituído como Dia Nacional da Redução da Mortalidade Materna que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é definida como a morte de uma mulher durante a gestação ou até 42 dias após o término da gestação. No Brasil, as principais causas são patologias associadas à hipertensão, hemorragias e infecções.

De acordo com dados recentes do IBGE, a mortalidade materna no Brasil caiu de 117 óbitos por 100 mil nascidos vivos em 2022 para 57 em 2024, retornando aos níveis pré-pandemia. No entanto, o país ainda precisa avançar significativamente para melhorar o cuidado da saúde nesse período. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a maioria dessas mortes é evitável, com estimativas indicando que 92% dos casos poderiam ser prevenidos.

A convite da Organon, a Dra. Roxana Knobel, médica especializada em ginecologia e obstetrícia, destaca a importância do diálogo humanizado e centrado na paciente para prevenção e redução da mortalidade materna. A médica sublinha a necessidade de uma abordagem cuidadosa ao discutir a evitabilidade das mortes maternas. “Muitas vezes, a responsabilidade é erroneamente atribuída à mulher, como se ela não tivesse procurado ajuda a tempo ou não tivesse seguido as recomendações médicas. No entanto, é crucial reconhecer que esses fatores estão frequentemente ligados às condições socioeconômicas e ao papel da mulher na sociedade”, explica. Por exemplo, uma mulher pode faltar a uma consulta médica porque não pode deixar o trabalho ou porque não tem com quem deixar os filhos. Além disso, pode não seguir a prescrição médica por falta de acesso ao medicamento.

Segundo a especialista, para enfrentar esses desafios, os profissionais de saúde devem oferecer um atendimento centrado na pessoa, compreendendo a realidade socioeconômica e cultural da paciente além de sua patologia. “É essencial que a paciente entenda e consinta com todas as condutas e acompanhamentos propostos. Uma comunicação clara, que envolva explicar a necessidade de um medicamento e verificar a compreensão da paciente, é vital,” enfatiza Knobel. Orientações por escrito e busca ativa de gestantes pela atenção primária são práticas recomendadas.

A médica também destaca a importância da comunicação clara e eficaz durante internações e procedimentos. “Toda a equipe de saúde deve documentar rigorosamente o atendimento no prontuário, assegurando a continuidade do tratamento, a proteção profissional e a coleta de dados vitais para o estado.”

Ela ressalta, ainda, o papel fundamental do poder público na redução das mortes maternas, melhorando os determinantes sociais, como estabilidade de emprego, acesso a serviços de saúde, creches acessíveis e horários de funcionamento ampliados da atenção primária. “É função do Estado garantir que todos tenham acesso a todos os níveis de atenção, incluindo transporte e vagas em UTI, bancos de sangue e equipes especializadas,” afirma.

A população deve ser informada sobre os benefícios de uma gestação saudável e os riscos associados. As gestantes devem conhecer seus direitos e a sociedade deve se comprometer a garantir que o cuidado obstétrico adequado esteja disponível para todas. Exemplos importantes incluem a realização de acompanhamento pré-natal, exames de rotina, imunizações durante a gestação, hábitos de vida saudáveis e assistência adequada ao parto e pós-parto, incentivando o parto normal com intervenções somente quando necessário.

Por fim, Knobel cita Fritas Junior, que em seu artigo “Mortalidade Materna evitável enquanto injustiça social” de 2020, destaca a necessidade de corrigir as desigualdades de gênero no acesso à educação, cultura e oportunidades, e de valorizar a necessidade de atenção especial à saúde materna. “É essencial que a sociedade compreenda a morte materna como um problema social evitável e invista na assistência obstétrica adequada,” conclui.

Sobre Organon

A Organon é uma empresa global de saúde com foco no desenvolvimento de medicamentos para mulheres. Seu propósito é contribuir para que as mulheres tenham mais saúde e bem-estar em todas as fases da vida. A companhia possui um portfólio de mais de 60 medicações em diversas áreas terapêuticas, como saúde reprodutiva, contracepção, doenças cardíacas e câncer de mama. Entre esses produtos, constam também biossimilares e medicamentos estabelecidos no mercado. Oriunda da farmacêutica MSD, a Organon tem atuação autônoma e cerca de 9 mil trabalhadores espalhados pelo planeta. Para obter mais informações, visite www.organon.com/brazil e conecte-se conosco no LinkedIn.