Doença atinge uma em casa 10 mulheres no mundo e, em muitos casos, é aconselhada a retirada do útero. Tratamento por radiofrequência preserva o órgão e traz melhora dos sintomas

A adenomiose é uma doença benigna do útero onde o tecido que reveste a parte interna (endométrio) está presente na parede do órgão (miométrio), formando ilhotas de endométrio em meio ao miométrio tornando o útero maior, com forma irregular e bastante inflamado. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), uma em cada 10 mulheres tem a doença e grande parte delas precisa retirar o útero. Porém, através da Ablação por Radiofrequência é possível preservar o órgão e aliviar os sintomas da doença.

Bárbara Murayama, médica ginecologista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) especialista em Endoscopia Ginecológica pela Unifesp com dois títulos de especialização pela FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, explica que a Ablação por Radiofrequência é um procedimento minimamente invasivo e tem como objetivo causar a necrose coagulativa das lesões. “De forma transvaginal, guiada pelo ultrassom, encontramos essas lesões e a agulha é alocada na área das lesões e ao comando de um pedal controlado pela cirurgiã, libera uma energia de radiofrequência gerando um calor no local, destruindo a lesão e preservando o útero saudável. Esta técnica minimamente invasiva não utiliza cortes, não deixa cicatrizes, possui baixo risco de complicações e ainda melhora os sintomas da doença que são principalmente a cólica menstrual intensa, o sangramento uterino anormal e questões relacionadas a fertilidade”, explica a médica.

Geralmente a adenomiose é uma doença que afeta mulheres com idade entre 40 e 50 anos, mas também tem se apresentado em mulheres mais novas. Em 2021, segundo o Ministério da Saúde, o Sistema Único de Saúde (SUS) realizou 11.463 procedimentos ambulatoriais e 3.791 procedimentos hospitalares relacionados ao diagnóstico da adenomiose. “A ablação por radiofrequência é uma das opções terapêuticas para a adenomiose e para quem deseja preservar o útero. Já existem alguns estudos mostrando bons resultados quanto a gestações em pacientes antes inférteis após a ablação por radiofrequência para adenomiose, além de ser um procedimento rápido e com uma recuperação tranquila. Geralmente as pacientes podem voltar ao trabalho em poucos dias e a praticar exercícios físicos em uma semana”, acrescenta a médica.

Inclusive, o artigo “Pregnancy and symptomatic relief following ultrasound-guided transvaginal radiofrequency ablation in patients with adenomyosis1” apontou uma taxa de sucesso de gravidez de 50% após a ablação por radiofrequência (RFA) guiada por ultrassom. O estudo avaliou um grupo com 81 pacientes, sendo que 74 mulheres desse grupo eram inférteis antes do procedimento.

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