SUS realizou mais de quatro mil procedimentos ambulatoriais por queixas ligadas à afasia em 2021

A afasia é uma doença que atinge a capacidade de comunicação de um indivíduo, afetando habilidades como leitura, escrita, fala, assimilação, compreensão e transmissão de informações. A afasia pode ocorrer concomitantemente com distúrbios da fala, como disartria ou apraxia da fala, que também resultam de danos cerebrais.

Ela pode ser causada por diversos fatores, como concussões, AVCs – Acidentes Vascular Cerebral – tumores ou bloqueios e rupturas de vasos sanguíneos, o que prejudica a circulação de sangue, levando à morte das células cerebrais ou danificando áreas do cérebro responsáveis pela linguagem no lado esquerdo do cérebro.

Além disso, a afasia também pode se manifestar como APP – Afasia Progressiva Primária – ela é, na verdade, uma doença neurológica, causada por doenças neurodegenerativas, como degeneração lobar frontotemporal e Alzheimer, também afetando a linguagem do indivíduo de forma lenta e progressiva.

O tratamento de afasia é baseado em tratar a causa, como a concussão ou AVC, e também inclui tratamento com fonoterapia para amenizar os sintomas e aprimorar a capacidade de comunicação.

Segundo um levantamento realizado pelo Ministério da Saúde, o SUS – Sistema Único de Saúde – realizou mais de quatro mil procedimentos ambulatoriais e 27 hospitalares por queixas ligadas à afasia apenas em 2021, o que é reforçado por outro estudo, publicado na revista ScienceOpen, que identificou, apenas no hospital analisado, 42,8% dos pacientes idosos apresentavam quadros de afasia.

Ambos os estudos convergem para o alerta sobre a ampla presença da afasia no Brasil, o que não está ligado ao conhecimento que a população geral possui sobre a doença.

Segundo o Pós PhD em neurociências, especialista em inteligência e doenças neurodegenerativas, membro da Society for Neuroscience nos Estados Unidos, Dr. Fabiano de Abreu Agrela, a afasia pode ser confundida com outras alterações de fala, por isso, conhecer bem seus sintomas é fundamental.

A afasia pode prejudicar bastante o convívio social do indivíduo e a sua qualidade de vida, por isso, é essencial identificar seus sintomas e buscar ajuda médica o mais cedo quanto possível para conseguir reduzir os impactos dos seus sintomas e desenvolver melhor as habilidades de comunicação do indivíduo”.

Em um estudo divulgado realizado pela Sapien Labs e publicado pelo The Guardian, 64 países tiveram seus índices de saúde mental e o Brasil apresentou o terceiro pior índice dentre os analisados.

A afasia também pode estar relacionados à saúde mental pois pode gerar constrangimentos que em geral fazem o indivíduo se afastar de eventos e interações sociais, podendo desenvolver depressão e ansiedade;

De acordo com o Dr. Fabiano de Abreu, isso se deve a diversos fatores, mas destacam-se o excesso de ansiedade e maus hábitos alimentares.

O alto número de casos que o Brasil está apresentando está relacionado a vários hábitos culturais e ao excesso de ansiedade, principalmente o uso de redes sociais e a educação dada pelos pais, grande parte da população está moldando uma cultura perigosa para a saúde mental”.

Mas os maus hábitos alimentares também podem ser um fator decisivo nesse processo, assim como o sedentarismo, falta de estudo e até mesmo a forma como é feita a produção de alimentos aqui no Brasil” Explica Dr. Fabiano.

Além disso, é possível que a realidade da saúde mental no Brasil também seja bem pior do que a apresentada no estudo, em geral, é muito complicado captar dados assertivos, não duvidaria se ele estivesse em primeiro lugar” Afirma.

Sobre Dr. Fabiano de Abreu

Dr. Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues, é um Pós-doutor e PhD em neurociências eleito membro da Sigma Xi, The Scientific Research Honor Society e Membro da Society for Neuroscience (USA) e da APA – American Philosophical Association, Mestre em Psicologia, Licenciado em Biologia e História; também Tecnólogo em Antropologia com várias formações nacionais e internacionais em Neurociências e Neuropsicologia. É diretor do Centro de Pesquisas e Análises Heráclito (CPAH), Cientista no Hospital Universitário Martin Dockweiler, Chefe do Departamento de Ciências e Tecnologia da Logos University International, Membro ativo da Redilat, membro-sócio da APBE – Associação Portuguesa de Biologia Evolutiva e da SPCE – Sociedade Portuguesa de Ciências da Educação. Membro Mensa, Intertel e TNS.