Dia 24 de março é o Dia Mundial de Combate à Tuberculose, doença que ainda causa mortes em diversos países, como o Brasil, mas que pode ser evitada. Desde os anos 20 do século passado, uma vacina tem o potencial de salvar milhares de vidas, mas as baixas coberturas do imunizante têm permitido que a Mycobacterium tuberculosis infecte milhares de pessoas e que muitas percam a vida.

A principal maneira de prevenir a tuberculose é a aplicação da vacina BCG (bacilo Calmette- Guérin), que protege contra as formas graves da doença e é indicada para crianças logo após o nascimento.

“ Tuberculose tem muito a ver com a condição de vida, a questão socioeconômica precária e a dificuldade para acessar serviços de saúde. Tudo isso favorece a ocorrência da doença”, comenta o médico infectologista e consultor médico do Sabin Diagnóstico e Saúde, Marcelo Cordeiro.

A tuberculose afeta principalmente os pulmões (tuberculose pulmonar), embora possa também atingir outros órgãos do corpo (tuberculose extrapulmonar). Por ser considerada uma doença silenciosa, ou seja, que não apresenta sintomas nos estágios iniciais, é importante reconhecer sinais precoces que podem indicar a existência da condição, permitindo o diagnóstico e tratamento adequados.

Considerada uma das doenças mais antigas do mundo, a tuberculose foi descoberta em 1882 pelo bacteriologista alemão Robert Koch, mas há registros da enfermidade datados de 8 mil antes de Cristo (AC). Apesar do seu caráter histórico, ainda hoje a tuberculose acomete cerca de 10 milhões de pessoas em todo o mundo por ano, e é responsável por um milhão de óbitos anualmente. No Brasil, são 70 mil casos anuais e 4,5 mil mortes, segundo o Ministério da Saúde (MS).

“A tuberculose pode acometer qualquer órgão do organismo, mas, em 80% dos casos, atinge o pulmão. No caso da tuberculose pulmonar, os principais sintomas são tosse persistente, geralmente por mais de duas semanas. Pode ter febre, suor noturno, perda de peso e dor no peito. Mas se o paciente for criança, em especial, menor de cinco anos, ou imunodeprimido, os sintomas podem ser bastante inespecíficos”, explica o infectologista.

No caso da tuberculose extrapulmonar, ou seja, que afeta outro órgão, o sintoma varia a depender da parte do corpo afetada, segundo o especialista. “A transmissão ocorre de pessoa para pessoa, pelo ar, a partir de um caso de paciente com tuberculose pulmonar ou de laringe. Outras ocorrências extrapulmonares, como tuberculose renal, não transmitem a doença”, afirma.

Diagnóstico e tratamento

Um dos primeiros passos para investigar a tuberculose é procurar atendimento médico, já que o profissional pode auxiliar na busca pelo diagnóstico, desde a análise clínica (verificação de sintomas) até a indicação de exames laboratoriais que podem confirmar a existência da doença. Dois testes comuns são a pesquisa de Bacilo Álcool Ácido Resistente (BAAR), que identifica a doença por meio da análise de amostra orgânica e ajuda no monitoramento durante o tratamento, e o Teste Rápido Molecular (TRM).

“Atualmente, o TRM em amostras de escarro e outros tipos de materiais, é o método mais indicado. Ele identifica rapidamente o DNA da bactéria causadora da tuberculose e detecta se a bactéria é resistente a um dos medicamentos utilizados para tratar a doença”, explica Marcelo Cordeiro.

Outra opção que serve para diagnosticar a tuberculose é o exame de cultura. O teste consiste em realizar um cultivo de amostra orgânica em um processo que permite o crescimento das bactérias. “Apesar de ser um exame muito sensível (logo, mais preciso), é também demorado”, diz o médico. Por último, a radiografia do tórax também é indicada como exame complementar no caso da versão pulmonar da enfermidade.

Conforme o infectologista, o tratamento tem dois objetivos: curar a pessoa acometida e interromper a transmissão. “O tratamento dura, no mínimo, seis meses, e é importante que a pessoa siga até o final. Caso contrário, se a pessoa abandonar, o tratamento pode falhar e a bactéria se tornar resistente aos medicamentos. Quando a tuberculose é resistente, esse tempo de tratamento pode aumentar em até dois anos”, alerta o profissional.