Com a evolução da governança, hospitais conquistam inteligência operacional para sustentar decisões clínicas e administrativas com maior previsibilidade e segurança
Em meio ao avanço da transformação digital no setor de saúde, a organização dos fluxos internos tem se tornado um passo fundamental para a maturidade tecnológica hospitalar. No entanto, mais do que estruturar rotinas isoladas, as instituições que evoluem de forma consistente são aquelas que avançam para um modelo de gestão por processos, integrando áreas, indicadores e sistemas de forma transversal.
Nesse contexto, é importante diferenciar dois conceitos frequentemente tratados como sinônimos, mas que representam níveis distintos de maturidade organizacional: gestão de processos e gestão por processos.
A gestão de processos está relacionada ao mapeamento, padronização e melhoria de fluxos específicos dentro das áreas. É um movimento essencial para organizar rotinas, reduzir variabilidades e aumentar a eficiência operacional.
Já a gestão por processos representa um modelo de gestão transversal, no qual a instituição passa a ser estruturada a partir da cadeia de valor e da integração entre áreas, orientando decisões com base no desempenho dos processos de ponta a ponta. Nesse modelo, os departamentos deixam de atuar de forma isolada e passam a operar com visão sistêmica, mensurando resultados de ponta a ponta.
É justamente nessa transição que a maturidade digital se consolida.
Relatórios da Healthcare Information and Management Systems Society (HIMSS) indicam que instituições que alcançam níveis mais avançados de maturidade digital apresentam maior padronização de fluxos assistenciais, integração entre sistemas clínicos e administrativos e uso consistente de dados para suporte à decisão.
Ao considerar a realidade hospitalar brasileira, o Observatório Anahp 2025, publicado pela Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), aponta que hospitais com gestão estruturada e cultura baseada em dados seguem registrando ganhos relevantes em eficiência operacional, controle de custos e, principalmente, maior previsibilidade na tomada de decisão.
Para Kele Dias, Executiva de Negócios da CeosGO, empresa cuja missão é potencializar a gestão de negócios por meio de soluções digitais, para que o sucesso do cliente seja alcançado, o avanço tecnológico sem uma estrutura orientada por processos gera dispersão de dados e baixo retorno sobre investimento.
“Quando a instituição evolui da gestão de processos para a gestão por processos, estruturando fluxos de forma integrada e apoiada por plataformas tecnológicas, os dados deixam de ser informações isoladas e passam a compor um ecossistema inteligente. Isso significa transformar informação em direcionamento estratégico. A alta gestão passa a ter uma visão 360° da instituição e entender onde e como deve agir para garantir qualidade assistencial e sustentabilidade operacional”, afirma.
Segundo a executiva, a gestão orientada por processos também impacta diretamente a operação rotineira da instituição, ao viabilizar interoperabilidade entre prontuário eletrônico, ERPs e sistemas de diagnóstico por imagem. Essa integração permite o monitoramento contínuo de indicadores críticos, como tempo de atendimento, taxa de ocupação e eventos assistenciais, por meio de dashboards dinâmicos e alertas automatizados que apoiam decisões mais rápidas e fundamentadas.
Outro diferencial da gestão por processos está na capacidade de transformar dados operacionais em inteligência estratégica. Ao contar com processos mapeados, indicadores consolidados e workflows estruturados, a instituição consegue aplicar modelos preditivos para antecipar gargalos assistenciais, otimizar a alocação de recursos e sustentar decisões baseadas em evidências, reduzindo riscos e aumentando eficiência.
“A presença de workflows influencia diretamente na capacidade de integrar pessoas, processos e sistemas de forma estruturada. Quando a gestão é digital, automatizada e monitorada, o hospital ganha escalabilidade, previsibilidade e capacidade de inovação contínua”, complementa Kele.
Em um cenário marcado por crescente complexidade regulatória, pressão por eficiência e busca por certificações nacionais e internacionais, a gestão por processos apoiada por tecnologia deixa de ser apenas um diferencial competitivo e passa a se consolidar como um requisito estratégico. Instituições que adotam esse modelo conseguem unir interoperabilidade, segurança da informação e excelência assistencial de forma sustentável.