Neurocientista Dr. Fabiano de Abreu, conta que alterações genéticas e nos neurotransmissores são fortemente associadas ao transtorno bipolar

O Dia Mundial do Transtorno Bipolar (World Bipolar Day – WBD) é uma iniciativa da International Society for Bipolar Disorders, configurando-se em um momento de união solidária em torno dos objetivos de aumentar a conscientização e a aceitação da doença, eliminar o estigma social, bem como promover a excelência no seu atendimento clínico e o financiamento de pesquisas.

É celebrado no dia 30 de março, data de nascimento do pintor holandês Vincent Van Gogh, postumamente diagnosticado como provável portador do transtorno bipolar.

O transtorno bipolar é uma doença maníaco-depressiva conhecida por gerar flutuações extremas de humor, criando uma alternância entre estados de euforia, depressão e normalidade que variam bastante de frequência, intensidade e duração, além de irritabilidade, esquecimento, aumento da libido, ideias suicidas e fala compulsiva.Normalmente, ele se manifesta em ambos os sexos entre os 15 e 25 anos, apesar de também poder afetar crianças e idosos, em geral, seus sintomas podem ser confundidos com outras doenças, por isso, é fortemente indicado contar com um profissional para um diagnóstico exato que ajudará a direcionar melhor seus tratamentos.

Como explica o Pós PhD em neurociências, Dr. Fabiano de Abreu Agrela, as causas desse transtorno ainda não são totalmente compreendidas, mas há fortes indícios da sua ligação com a genética.

As causas exatas do transtorno bipolar ainda são desconhecidas, mas ela tem sido fortemente associada a fatores genéticos que causam alterações específicas em algumas áreas do cérebro e na ação de determinados neurotransmissores, o que gera oscilações de humor”.

Alguns estudo correlacionam o transtorno com a ação do gene AKAP11, que também pode estar ligado ao desenvolvimento de esquizofrenia, a ação dos genes é fundamental nesse processo, cerca de 80% dos casos estão associados a fatores genéticos hereditários”. Afirma.

Transtorno bipolar pode gerar alterações no cérebro

De acordo com os resultados de um dos maiores estudos sobre bipolaridade que analisou ressonâncias magnéticas de mais de seis mil pacientes, houve redução da massa cinzenta no cérebro de pessoas com o transtorno bipolar em comparação com pessoas saudáveis, as alterações foram mais significativas nas regiões frontal e temporal do cérebro, responsáveis pelo controle das emoções.

Diversos neurotransmissores também são alterados em pessoas com o transtorno, a noradrenalina, por exemplo, apresenta reduções significativas em pacientes com bipolaridade, níveis de dopamina e serotonina também são alterados, mudanças que, neste último, também se relacionam com comportamentos agressivos e suicídio”. Explica Dr. Fabiano de Abreu.

Tratamento do Transtorno Bipolar

O transtorno bipolar não tem cura, mas com os tratamentos disponíveis pode ser controlado, melhorando a qualidade de vida do paciente.

Geralmente o tratamento se baseia em mudanças no estilo de vida do paciente, como o corte do consumo de substâncias psicoativas e estímulo a hábitos saudáveis, como controle do estresse e qualidade de sono, além do uso de psicoterapia.

O uso de medicamentos também é importante, a depender da evolução do quadro e da gravidade da doença, podem ser prescritos ansiolíticos, neurolépticos, antipsicóticos, estabilizantes de humor e até anticonvulsivantes.

Sobre Dr. Fabiano de Abreu

Dr. Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues, é um Pós-doutor e PhD em neurociências eleito membro da Sigma Xi, The Scientific Research Honor Society e Membro da Society for Neuroscience (USA) e da APA – American Philosophical Association, Mestre em Psicologia, Licenciado em Biologia e História; também Tecnólogo em Antropologia com várias formações nacionais e internacionais em Neurociências e Neuropsicologia. É diretor do Centro de Pesquisas e Análises Heráclito (CPAH), Cientista no Hospital Universitário Martin Dockweiler, Chefe do Departamento de Ciências e Tecnologia da Logos University International, Membro ativo da Redilat, membro-sócio da APBE – Associação Portuguesa de Biologia Evolutiva e da SPCE – Sociedade Portuguesa de Ciências da Educação. Membro Mensa, Intertel e TNS.