ENCONTRO LUSO-BRASILEIRO – “Brasil e Portugal possuem ligações históricas fortes e compartilham desafios relevantes na gestão hospitalar”

Ex-secretário de Estado da Saúde de Portugal, Ricardo Mestre defende a cooperação com o Brasil para impulsionar a qualificação na assistência hospitalar. Durante a Hospitalar 2026, ele anunciou a realização do I Encontro Luso-Brasileiro de Gestão Hospitalar, que acontecerá em Lisboa, em outubro deste ano

 

A Hospitalar 2026 serviu de palco para o lançamento de uma iniciativa que pretende aproximar ainda mais Brasil e Portugal em torno de um tema estratégico: a gestão hospitalar. Durante a principal feira de saúde da América Latina, o gestor português Ricardo Mestre anunciou a realização do I Encontro Luso-Brasileiro de Gestão Hospitalar, marcado para o dia 30 de outubro, em Lisboa.

 

Com uma trajetória consolidada na administração pública e na gestão de sistemas de saúde, Mestre acredita que os desafios enfrentados pelos dois países são semelhantes e exigem respostas construídas a partir da troca de experiências, da inovação e da cooperação internacional.

 

A proposta do encontro é criar um ambiente permanente de diálogo entre lideranças hospitalares, gestores públicos, especialistas e instituições dos dois lados do Atlântico. A segunda edição já está confirmada para ocorrer durante a Hospitalar 2027, consolidando uma agenda contínua de intercâmbio técnico.

 

Nesta entrevista exclusiva à Revista Visão Hospitalar, Ricardo Mestre fala sobre a sua primeira experiência na feira Hospitalar, destaca as expectativas com a edição deste ano do encontro, em Portugal, como também com a segunda edição, que será  realizada durante a  Hospitalar 2027, com a coordenação da Viva+ Comunicação, Editora e Eventos. Acompanhe:

 

Revista Visão Hospitalar – É a sua primeira participação na Hospitalar. Qual foi a impressão deixada pelo evento?

 

Ricardo Mestre – Sim, esta é a minha primeira participação na Hospitalar. Impressiona pela magnitude e pela dimensão. É um evento que reúne aquilo que de melhor se faz no universo hospitalar e, por isso, tornou-se uma referência para toda a América Latina. Percebe-se claramente o dinamismo, a inovação e a capacidade de reunir diferentes atores para discutir soluções que permitam oferecer respostas hospitalares cada vez mais qualificadas à população.

 

Revista Visão Hospitalar – Sua presença na feira também marca o anúncio de um importante evento internacional: o I Encontro Luso-Brasileiro de Gestão Hospitalar. Como surgiu essa iniciativa?

 

Ricardo Mestre – Há um conjunto de desafios na área da saúde que são comuns aos vários países do mundo. Brasil e Portugal possuem uma ligação histórica muito forte e compartilham igualmente desafios relevantes na gestão hospitalar. A partir dessa realidade nasceu a ideia de criar o I Encontro Luso-Brasileiro de Gestão Hospitalar, juntamente com a Feira Hospitalar e com a VIVA+ Comunicação Editora Eventos e RealGov. A primeira edição será realizada em Portugal, em outubro de 2026, e a segunda acontecerá durante a Hospitalar 2027, no Brasil. A nossa intenção é alternar as futuras edições entre os dois países e construir uma agenda duradoura de cooperação e intercâmbio. Também contamos com o apoio das principais instituições do Setor Saúde no Brasil e em Portugal. 

 

Revista Visão Hospitalar – Qual será o foco temático desta primeira edição?

 

Ricardo Mestre – Escolhemos três eixos fundamentais: integração, inovação e sustentabilidade da resposta hospitalar. São temas centrais para os sistemas de saúde contemporâneos e representam desafios compartilhados pelos nossos países. O encontro acontecerá no dia 30 de outubro de 2026, em Lisboa, e dará início a um processo contínuo de discussão e construção conjunta de soluções para a gestão hospitalar.

 

Revista Visão Hospitalar – Quais são as expectativas para essa estreia em Portugal?

 

Ricardo Mestre – Temos expectativas muito positivas. O programa científico prevê visitas técnicas a hospitais portugueses, permitindo aos participantes conhecer experiências e modelos de gestão adotados no país. Também realizaremos um prêmio de boas práticas, com participação aberta aos colegas brasileiros. Além disso, na véspera do encontro ocorrerá o 11º Encontro Internacional dos Hospitais em Portugal, ampliando as oportunidades de troca de conhecimento não apenas sobre a realidade portuguesa, mas também sobre experiências europeias em gestão hospitalar. Percebemos um grande interesse por parte de lideranças e gestores brasileiros, de diferentes estados, que já manifestaram intenção de participar. Esperamos reunir uma representação ampla e diversa dos dois países.

 

Revista Visão Hospitalar – A realização da segunda edição dentro da Hospitalar 2027 pode ampliar ainda mais o alcance da iniciativa?

 

Ricardo Mestre – Sem dúvida. A Hospitalar possui uma dimensão extraordinária e reúne diversos eventos paralelos que enriquecem a experiência dos participantes. Acreditamos que a realização do encontro dentro desse contexto fortalecerá tanto a Hospitalar quanto o próprio Encontro Luso-Brasileiro. Trata-se de uma parceria em que todos ganham: os organizadores, os participantes e, sobretudo, os sistemas de saúde que poderão beneficiar-se da troca de conhecimento e de experiências.

 

Revista Visão Hospitalar – Quais instituições estão liderando a organização do encontro?

 

Ricardo Mestre – Em Portugal, a liderança está a cargo da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Hospitalar (APDH), uma entidade que reúne diversos atores do setor e promove o debate sobre inovação e modernização da gestão hospitalar. No Brasil, a liderança está com a Informa Markets, com a Feira Hospitalar e com a Viva+ Comunicação Editora Eventos e RealGov, que construíram esse projeto conjuntamente para fortalecer a mobilização dos participantes e garantir uma representação ampla da diversidade do setor de saúde brasileiro. O objetivo é construir um espaço verdadeiramente colaborativo e representativo das realidades dos dois países.

 

“Há um conjunto de desafios na área da saúde que são comuns aos vários países do mundo” – Ricardo Mestre.

“Brasil e Portugal possuem uma ligação histórica muito forte e compartilham igualmente desafios relevantes na gestão hospitalar” – Ricardo Mestre.

 

Visão Hospitalar — A Hospitalar passa a integrar a realização do I Encontro Luso-Brasileiro de Gestão Hospitalar, iniciativa desenvolvida em parceria com a Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Hospitalar (APDH), a VIVA+ Comunicação Editora e Eventos e a RealGov. Qual é o significado dessa iniciativa para a Hospitalar e para o fortalecimento da cooperação internacional em saúde?

 

Juliana Vicente — A Hospitalar sempre acreditou que a inovação nasce da conexão entre pessoas, instituições e diferentes realidades. Participar da construção do I Encontro Luso-Brasileiro de Gestão Hospitalar representa um passo importante na ampliação do nosso papel como plataforma de integração internacional da saúde. Brasil e Portugal compartilham laços históricos, culturais e linguísticos, mas também enfrentam desafios semelhantes relacionados à sustentabilidade dos sistemas de saúde, à transformação digital, à gestão hospitalar e à qualificação da assistência. Criar um ambiente permanente de diálogo entre esses dois ecossistemas significa estimular a troca de experiências, incentivar soluções conjuntas e fortalecer uma agenda de cooperação que beneficia ambos os países.

 

Visão Hospitalar — O projeto nasce com a proposta de alternar suas edições entre Portugal e Brasil. Qual é o potencial desse modelo para o desenvolvimento do setor?

 

Juliana Vicente — A alternância entre os dois países transforma o encontro em uma iniciativa permanente, com capacidade de gerar resultados de longo prazo. Não estamos falando apenas de um evento, mas da construção de uma ponte contínua de relacionamento entre lideranças, hospitais, universidades, entidades representativas, governos e empresas. Essa continuidade permitirá acompanhar boas práticas, compartilhar modelos de gestão, estimular a inovação e ampliar a cooperação técnica, científica e institucional. É uma agenda que fortalece a internacionalização da saúde e cria novas oportunidades de desenvolvimento para todo o setor.

 

Visão Hospitalar — Em 2026, a Hospitalar integrará a missão brasileira que participará da primeira edição do encontro em Portugal. Quais são as expectativas para essa experiência?

 

Juliana Vicente — São as melhores possíveis. A missão permitirá que lideranças brasileiras conheçam de perto experiências relevantes desenvolvidas em Portugal, participem de visitas técnicas, ampliem seu relacionamento institucional e estabeleçam novas conexões estratégicas. Mais do que observar modelos bem-sucedidos, queremos promover um intercâmbio efetivo de conhecimento, no qual Brasil e Portugal aprendam mutuamente. Tenho certeza de que essa vivência enriquecerá os debates e fortalecerá futuras iniciativas de cooperação internacional.

 

Visão Hospitalar — Em 2027, a Hospitalar sediará a edição brasileira do Encontro Luso-Brasileiro de Gestão Hospitalar. Qual será o papel da Hospitalar nesse novo capítulo da iniciativa?

 

Juliana Vicente — Receber a edição brasileira durante a Hospitalar 2027 será uma grande honra e, ao mesmo tempo, uma importante responsabilidade. Nosso compromisso será oferecer um ambiente de alto nível para o diálogo entre especialistas, gestores, autoridades públicas, pesquisadores e representantes da indústria da saúde dos dois países. Queremos consolidar a Hospitalar como a principal plataforma de integração entre Brasil e Portugal na área da saúde, fortalecendo parcerias, incentivando a inovação e ampliando oportunidades de cooperação internacional.

 

Tenho convicção de que este será apenas o início de uma agenda duradoura, capaz de gerar impactos positivos para os sistemas de saúde e para toda a comunidade hospitalar dos países de língua portuguesa.

 

“Não estamos criando apenas um evento, mas uma ponte permanente de relacionamento entre Brasil e Portugal” – Juliana Vicente.

“A inovação nasce da conexão entre pessoas, instituições e diferentes realidades” – Juliana Vicente.

“Mais do que observar modelos, queremos promover um intercâmbio efetivo de conhecimento entre os dois países” – Juliana Vicente.

 

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