Vice-presidente Graccho Alvim participa, em Washington, de encontro que reúne autoridades de saúde das Américas e representa o setor hospitalar junto à International Hospital Federation
A Federação Brasileira de Hospitais (FBH) estará representada no 63º Conselho Diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), que também corresponde à 78ª Sessão do Comitê Regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para as Américas. O encontro será realizado de 28 de setembro a 2 de outubro, na sede da OPAS, em Washington, D.C., reunindo ministros da Saúde, autoridades sanitárias e representantes de organizações internacionais para discutir prioridades e estratégias de saúde para a região.
O vice-presidente da FBH, Dr. Graccho Alvim, participa da agenda como representante indicado pela International Hospital Federation (IHF), levando ao debate internacional a perspectiva do setor hospitalar e conectando os desafios enfrentados pelos hospitais brasileiros às discussões que orientam as políticas de saúde nas Américas.
Para Alvim, a participação brasileira em fóruns multilaterais é estratégica para aproximar a formulação das políticas públicas da realidade vivenciada pelos serviços de saúde.
“O hospital precisa estar presente nas discussões que definem o futuro dos sistemas de saúde. Questões como mudanças climáticas, emergências sanitárias, transformação tecnológica, sustentabilidade e financiamento têm impacto direto sobre a capacidade dos hospitais de cuidar das pessoas. Levar a experiência brasileira para esse debate significa também contribuir para a construção de soluções mais conectadas à realidade dos serviços de saúde”, destaca.
Entre os temas que estarão no centro das discussões do Conselho Diretor estão os desafios relacionados às emergências de saúde pública, doenças transmissíveis e não transmissíveis, resistência antimicrobiana, segurança alimentar e fortalecimento da cooperação regional. A agenda também dialoga com questões estruturantes para o setor hospitalar, como a resiliência dos sistemas e serviços de saúde e a preparação para novos cenários epidemiológicos e ambientais.
Nesse contexto, a abordagem One Health (Saúde Única) ganha relevância ao integrar saúde humana, saúde animal e meio ambiente na prevenção e resposta a ameaças sanitárias. Para os hospitais, essa perspectiva amplia a necessidade de planejamento, integração entre diferentes setores e capacidade de resposta diante de eventos que podem pressionar simultaneamente as redes de assistência.
Outro eixo de importância crescente é a relação entre mudanças climáticas e infraestrutura de saúde. Eventos extremos podem afetar o funcionamento de unidades hospitalares, comprometer cadeias de suprimentos, ampliar a demanda por atendimento e exigir novos protocolos de contingência. Ao mesmo tempo, hospitais são chamados a incorporar práticas de eficiência energética, gestão de resíduos, redução de emissões e sustentabilidade em suas operações.
“O mundo está diante de uma mudança de cenário. A resiliência hospitalar não pode mais ser compreendida apenas como a capacidade de responder a uma emergência depois que ela acontece. Precisamos pensar em infraestrutura, planejamento, tecnologia, sustentabilidade e governança como componentes de uma mesma estratégia. Um hospital resiliente é aquele que consegue manter o cuidado mesmo diante de situações adversas”, afirma Alvim.
A inovação tecnológica também integra essa transformação. Soluções de telessaúde, ferramentas digitais, inteligência de dados e novas tecnologias assistenciais vêm modificando modelos de cuidado e gestão, ao mesmo tempo em que impõem desafios relacionados à capacitação profissional, investimentos, segurança e sustentabilidade financeira.
Para a Federação, a cooperação internacional pode contribuir para aproximar experiências, compartilhar boas práticas e construir estratégias capazes de fortalecer a capacidade assistencial dos hospitais.
“A cooperação internacional precisa produzir conhecimento aplicável. Não basta discutir os grandes desafios da saúde; é necessário transformar essas discussões em estratégias que possam chegar aos hospitais, melhorar a gestão, fortalecer a assistência e ampliar a capacidade de resposta dos sistemas. O Brasil tem experiências importantes a compartilhar e também muito a aprender com outros países”, destaca o vice-presidente da FBH.
A agenda em Washington integra o movimento de internacionalização do debate sobre os desafios hospitalares e reforça a atuação institucional da FBH na defesa de um setor capaz de responder às transformações demográficas, epidemiológicas, tecnológicas, ambientais e econômicas que já impactam a saúde.