A doença ficou em evidência por causa da influenciadora Fabiana Justus, filha de Roberto Justus, que foi diagnosticada com leucemia mieloide aguda.

A leucemia é um dos dez tipos de câncer mais comuns no Brasil, se desconsideramos os tumores de pele não melanoma. A Campanha Fevereiro Laranja é um momento importante para se falar sobre esta doença que voltou ao noticiário após a influenciadora Fabiana Justus, de 37 anos, filha do empresário Roberto Justus, ter revelado que estava com leucemia mieloide aguda. Só neste ano, deverão ser diagnosticados 11.540 casos da enfermidade segundo projeções do Instituto Nacional de Câncer (INCA).

A leucemia é um câncer que tem início nas células-tronco da medula óssea. Uma célula sanguínea que ainda não atingiu a maturidade sofre uma mutação genética que a transforma em uma célula cancerosa. A doença atinge os glóbulos brancos – as células de defesa do organismo contra infecções e agressões externas. A leucemia pode ser linfoide ou mieloide, dependendo de qual linhagem de glóbulo branco acomete.

A enfermidade também é classificada de acordo com o tempo de instalação e agressividade. As modalidades que se desenvolvem mais rapidamente são chamadas agudas e as que crescem de forma lenta são conhecidas por crônicas. ” Nas manifestações agudas, a doença se instala em dias ou semanas. Por ser muito agressiva, impede a produção de células sanguíneas saudáveis, causando infecções e sangramentos, fadiga, hematomas pelo corpo, dor de cabeça, falta de ar, febre, tonturas, desmaios, sudorese noturna, perda de peso”, esclarece o médico Renato de Castro, hematologista da Oncologia D’Or.

As formas crônicas   levam meses para se desenvolver, por isso demoram mais para interferir na produção normal  de sangue e provocar sintomas como fadiga, sudorese noturna, perda de peso, febre, dores ósseas, aumento dos gânglios linfáticos e baço e distensão abdominal, com sensação de saciedade após uma pequena refeição. O tratamento também é menos agressivo.

Tratamentos

O tratamento da leucemia linfoide aguda é semelhante ao da leucemia mieloide aguda. Embora envolva drogas diferentes, inclui quimioterapia em altas doses e imunoterapia com anticorpos monoclonais que atuam na membrana da célula cancerígena. Drogas alvo são recomendadas para determinadas mutações genéticas que causam a doença. Quando se estima que o paciente terá condições clínicas de ser submetido a um desses protocolos intensos, o objetivo é curativo.

Para as leucemias com alto risco de recaída ou que são resistentes ao tratamento convencional com quimioterapia, recomenda-se o transplante de medula óssea alogênico, que envolve um doador saudável e o paciente receptor portador de leucemia. O procedimento pode ser indicado mesmo após o tratamento de primeira linha ter mantido a doença sob controle.

“Nos últimos anos, nós avançamos bastante no tratamento da leucemia linfoide aguda com o advento da terapia Car-T Cells, que consiste na modificação genética de células de defesa do paciente a fim de destruir as células cancerígenas”, declara Renato de Castro.  Essa terapia já está disponível na rede privada para crianças e adultos jovens com até 25 anos de idade no Brasil.  A modalidade para adultos acima de 25 anos foi liberada em 2023 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e deve estar no mercado ainda este ano.

Um medicamento oral de uso contínuo pode manter sob controle tanto a leucemia linfoide crônica como a leucemia mieloide crônica. “O paciente é monitorado pelo médico hematologista periodicamente e os resultados são muito bons. Hoje em dia raramente a gente precisa prescrever um tratamento mais agressivo para essas doenças crônicas, como uma quimioterapia venosa, por exemplo”, pondera Renato de Castro.

Não existe uma ação específica para prevenir a leucemia. A melhor forma de evitar a doença é a adoção de um estilo de vida saudável como a prática regular de exercícios físicos, não fumar,  evitar consumir  alimentos ultra-processados e manter uma dieta bem equilibrada.

Sobre a Oncologia D’Or

Criada em 2011, a Oncologia D’Or é o projeto de oncologia da Rede D’Or formada por clínicas especializadas no diagnóstico e tratamento oncológico e hematológico, com padrão de qualidade internacional e que, atualmente, está presente em onze estados brasileiros e Distrito Federal. O trabalho da Oncologia D’Or tem por objetivo proporcionar, não apenas serviços integrados e assistência ao paciente com câncer com elevados padrões de excelência médica, mas um ambiente de suporte humanizado e acolhimento. A área de atuação da Oncologia D’Or conta com uma rede de mais de 55 clínicas, tem em seu corpo clínico mais de 500 médicos especialistas nas áreas de oncologia, radioterapia e hematologia e equipes multidisciplinares que trabalham em estreita parceria com o corpo clínico da maioria dos mais de 75 hospitais da Rede D’Or. Além disso, a presença das clínicas da Oncologia D’Or em mais de 20 hospitais da Rede, abrange a área de atuação em toda a linha de cuidados, seguindo os moldes mais avançados de assistência integrada, proporcionando maior agilidade no diagnóstico, mais conforto e eficiência para o tratamento completo dos pacientes.