A Hanseníase é uma doença que tem DIAGNÓSTICO, TRATAMENTO e CURA! Quanto mais cedo descobrirmos a doença e começarmos o tratamento, maiores são as chances de evitar complicações e alcançar a cura.
E você já se perguntou por que tantos países conseguiram eliminar a Hanseníase, mas o Brasil ainda não?

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o 2º país com maior incidência de hanseníase no mundo, ficando atrás apenas da Índia. Dados preliminares do Ministério da Saúde apontam que, em 2022, mais de 17 mil novos casos de hanseníase foram diagnosticados no país.

Por definição, a Hanseníase é uma doença neurológica e dermatológica, causada por uma bactéria, o Mycobacterium leprae. Ela encontra-se erradicada em várias partes do mundo, no entanto, no Brasil a Hanseníase continua endêmica e em alguns estados hiperendêmica. Podemos caracterizá-la como infecciosa, contagiosa, de evolução crônica, que afeta principalmente a pele, nervos periféricos, membranas mucosas do trato respiratório e olhos.

A bactéria causadora da Hanseníase possui algumas particularidades,a começar pelo fato de que ela não é cultivada in vitro, o que dificulta estudos relacionados a novos fármacos e a criação de vacina contra a hanseníase. Sendo intracelular, é a única bactéria que consegue penetrar no nervo, invadindo especialmente as células da glia do sistema nervoso periférico, denominadas células de Schwann.

Após invadir essas células, essa bactéria pode ficar silenciosa por longo período, às vezes por até 10 anos ou mais. São raros os estudos que justifiquem essa invasão e que descrevem os mecanismos do início da reação imunológica causada pelo Mycobacterium leprae. A ausência de estudos tornam alguns mecanismos entre o tropismo da bactéria ao sistema nervoso periférico um enigma a ser desvendado.

Uma Estratégia Ambiciosa

A Hanseníase tem uma história muito antiga e, infelizmente, carrega um estigma de discriminação e isolamento social. Mesmo sendo considerada, pela Organização Mundial da Saúde (OMS), uma das 20 Doenças Tropicais Negligenciadas e, apesar dos esforços para controlá-la, o número de casos ainda é alarmante.

Por outro lado, uma estratégia ambiciosa chamada “Rumo Zero a Hanseníase até 2030” foi lançada pela OMS para frear a transmissão e, finalmente, alcançar zero casos autóctones. Para isso, o foco está em diagnósticos mais cedo e interrupção da cadeia de transmissão, especialmente nas populações mais vulneráveis.

Mas, sabe o que é ainda mais desafiador? A verdadeira incidência da doença é difícil de estimar, já que nem todos os casos são detectados no momento certo. Além disso, a demora entre o diagnóstico e o aparecimento dos primeiros sintomas pode variar muito de pessoa para pessoa.

Também existem várias outras barreiras no controle da doença, como a falta de diagnóstico precoce e a interrupção da transmissão por pacientes multibacilares. Mais um ponto de atenção é o fato de que conviver com pessoas não diagnosticadas ou que abandonaram o tratamento aumenta significativamente o risco de adoecer: são 3,8 vezes mais chances em comparação à população geral.

Como a Hanseníase é Diagnosticada?

A CONITEC (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde) relaciona algumas ferramentas de apoio ao diagnóstico, que ainda é essencialmente clínico. Isso quer dizer que os médicos precisam fazer uma avaliação minuciosa para confirmar a existência da doença.

Apesar disso, a possibilidade de casos falsos-negativos ou falsos-positivos existe, dada a complexidade da doença. No entanto, existem exames laboratoriais que dão um suporte ao diagnóstico clínico, como a baciloscopia, a histopatologia e o teste rápido imunocromatográfico. Vamos explicar rapidamente cada um deles.

Baciloscopia

A baciloscopia é um exame que busca detectar a presença da bactéria causadora da Hanseníase em amostras da pele, e assim estimar a carga bacilar do paciente. O Guia de procedimentos técnicos: baciloscopia em hanseníase (BRASIL, 2010) dá uma série de orientações específicas para a realização da coleta.

Histopatologia

Conforme Guia Prático de Hanseníase, 2017, a histopatologia, por sua vez, é uma biópsia de pele que pode ser necessária em casos mais complexos, nos quais o diagnóstico persiste indefinido mesmo após avaliação clínica e baciloscopia. Ademais, podem ocorrer solicitações de material de biópsia de nervos, que são obtidas principalmente de ramos cutâneos sensitivos, como o radial superficial, o cutâneo dorsal do nervo ulnar, o nervo sural e o ramo fibular superficial.

Teste Rápido Imunocromatográfico

O teste rápido imunocromatográfico é uma ferramenta inovadora que detecta anticorpos específicos da Hanseníase e o Brasil é o primeiro país do mundo a implantar esse teste rápido! Ele é essencialmente útil para detectar a Hanseníase em contatos domiciliares e também em estudos de busca ativa.

De fabricação da Bioclin®, o kit Bioclin Fast ML Flow Hanseníase (anticorpos IgM antiMycobacterium leprae) é um teste imunocromatográfico rápido para a determinação qualitativa de anticorpos IgM anti-Mycobacterium leprae em amostras biológicas (soro, plasma ou sangue total), deve ser aplicado somente para uso diagnóstico in vitro. Ele funciona por meio de um pequeno volume de amostra de sangue ou soro do paciente, baseado na reação antígeno/anticorpo. Os anticorpos IgM produzidos são identificados por imunocromatografia e a formação de uma linha vermelha é o que indica o diagnóstico da doença.

O ML Flow Hanseníase oferece resultados disponíveis em minutos, facilitando a tomada de decisão clínica e eliminando a necessidade de exames laboratoriais complexos e dispendiosos, contribuindo para o controle da doença na comunidade e reduzindo o número de casos. Com tecnologia de ponta, esse teste permite que médicos e profissionais da saúde identifiquem a Hanseníase em estágios iniciais, possibilitando um tratamento mais eficaz e evitando complicações a longo prazo.

ML Flow Hanseníase no SUS

No âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), o teste rápido foi incluído como método auxiliar as ações de controle da hanseníase, a fim de indicar o grupo a ser monitorado mais de perto quanto ao surgimento de sinais e sintomas da doença, encaminhando à Atenção Especializada para avaliação por especialista em caso de alterações suspeitas inconclusivas.
Portanto, seu uso pelo SUS está aprovado para uso exclusivo na investigação de contatos de casos confirmados de hanseníase. Entretanto, o teste rápido pode ser utilizado no âmbito particular (consultórios e laboratórios) e poderá ser implantado em farmácias. Ele também vem sendo aplicado em estudos de busca ativa por alguns estados do Brasil. Nessa aplicabilidade, comunidades são testadas e aqueles com teste rápido reagente (positivo) são encaminhados para elucidação diagnóstico.

Neste contexto, pesquisadores afirmam que a positividade do teste rápido em indivíduos com avaliação dermatoneurológica suspeita tem servido para direcionar a descoberta de novos casos, sendo assim auxílio no diagnóstico. Acredita-se ainda que a utilização de testes rápidos na busca ativa em pessoas menores de 15 anos ⎼ população altamente relacionada à incidência de hanseníase ⎼ pode contribuir para evitar deformidades e graus de incapacidades ao revelar um novo grupo que precisa de monitoramento e cuidado.

Juntos Contra a Hanseníase

Então, por que a Hanseníase ainda não foi erradicada no Brasil? Parece que a falta de investimento na busca ativa pode ser uma das respostas. Se houvesse mais foco nesse aspecto, talvez pudéssemos identificar mais casos precocemente. Além disso, ações para o diagnóstico ainda precisam ser ampliadas. Por fim, a Hanseníase é uma doença de fato complexa, mas estamos no caminho certo para controlá-la.

Pensando nisso, além de produzir e disponibilizar o kit Fast ML Flow Hanseníase, recentemente a Bioclin lançou a campanha “Conhecer e superar barreiras: juntos contra a hanseníase”, a qual dada a relevância do assunto para a sociedade, foi eleita para ser a primeira campanha nacional da marca. Em parceria com o MORHAN ⎼ Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase, principal movimento social ligado à hanseníase no Brasil, o objetivo é promover a conscientização e sensibilização em prol do combate da desinformação, a falta de diagnósticos e o preconceito quanto a doença.

Como parte da campanha, que fica no ar até dia 31 de dezembro de 2023, a Bioclin disponibiliza o e-book gratuito “Hanseníase – uma visão holística com foco no diagnóstico”, com informações valiosas sobre suas manifestações clínicas e a importância do diagnóstico precoce. E ainda segue criando materiais que ajudem os profissionais de saúde a entenderem melhor sobre a doença, além de mostrar a face mais humana do problema, trazendo histórias daqueles que já tiveram a hanseníase e hoje lutam pelo fim do preconceito.

Acompanhe a Bioclin no site www.bioclin.com.br ou nas redes sociais @bioclinglobal

Para mais informações sobre a campanha e o MLFlow Hanseníase, visite a página “Juntos contra a Hanseníase”

Imagem: Divulgação