49º Congresso Mundial de Hospitais da IHF reunirá lideranças de mais de 90 países para discutir inteligência artificial, sustentabilidade, governança e os novos rumos da gestão hospitalar
Entre os dias 19 e 22 de outubro, a cidade de Seul, na República da Coreia (Coreia do Sul), sediará o 49º Congresso Mundial de Hospitais (World Hospital Congress – WHC 2026), promovido pela International Hospital Federation (IHF) em parceria com a Korean Hospital Association (KHA). Considerado o principal encontro global da liderança hospitalar, o evento reunirá executivos, gestores, especialistas e formuladores de políticas públicas de saúde para debater os desafios e as transformações que moldam o futuro da assistência hospitalar.
Realizado no Coex Magok Lewest Convention Center, o congresso chega à sua 49ª edição consolidado como uma das mais importantes plataformas internacionais de intercâmbio de conhecimento, inovação e boas práticas em gestão da saúde. A expectativa é reunir cerca de 1.500 participantes de mais de 90 países em uma programação que ultrapassa 40 horas de conteúdo científico e estratégico.
Com o tema “Global Learning, Local Action for Every Patient” (“Aprendizado Global, Ação Local para Cada Paciente”), o congresso parte de uma premissa que dialoga diretamente com os desafios enfrentados pelos sistemas de saúde em todo o mundo: transformar conhecimento global em soluções concretas para melhorar a experiência, a segurança e os resultados assistenciais dos pacientes.
Segundo a IHF, a edição de Seul foi estruturada para fortalecer a troca internacional de experiências capazes de gerar impacto real nos hospitais e sistemas de saúde locais.
Em comunicado oficial da entidade, a presidente da IHF, Dra. Muna Tahlak, destacou a relevância estratégica da escolha da Coreia do Sul como sede do encontro. “Estamos muito satisfeitos em anunciar que o principal evento da IHF será realizado em Seul em 2026. O Congresso Mundial de Hospitais reúne líderes hospitalares para um aprendizado global que se traduz em ações significativas nas comunidades locais. A excelência demonstrada pelos hospitais coreanos pode servir de modelo para administração hospitalar, segurança do paciente, saúde digital e gestão de crises”, afirmou a dirigente da Federação Internacional.
PROGRAMAÇÃO
A programação científica foi organizada em quatro grandes trilhas temáticas que refletem as principais agendas da saúde contemporânea.
A primeira delas abordará a experiência centrada no ser humano em um contexto de rápidas transformações sociais, tecnológicas e demográficas. O foco será discutir como preservar a humanização do cuidado diante do envelhecimento populacional, da crescente demanda assistencial e dos impactos do esgotamento profissional das equipes de saúde.
A segunda trilha concentrará os debates sobre liderança e sustentabilidade organizacional, discutindo modelos de governança, saúde baseada em valor (VBHC), resiliência financeira e estratégias para enfrentar cenários econômicos cada vez mais complexos.
Já a terceira trilha será dedicada à sustentabilidade ambiental e à descarbonização dos sistemas de saúde. Sob influência direta do Geneva Sustainability Centre, braço da IHF voltado para a agenda climática, as discussões abordarão desde eficiência energética e gestão de resíduos até estratégias para tornar os hospitais mais resilientes aos eventos extremos associados às mudanças climáticas.
Por sua vez, a quarta trilha promete concentrar parte das atenções do congresso ao tratar da transformação digital e dos impactos da inteligência artificial (IA) na assistência e na gestão hospitalar. O objetivo será discutir aplicações práticas de IA generativa, big data, automação e governança tecnológica, avaliando não apenas inovação, mas também segurança clínica, ética e retorno sobre investimento.
Entre os nomes já confirmados para a programação estão algumas das principais lideranças da saúde mundial. Participarão dos debates executivos como Marc Boom, presidente e CEO do Houston Methodist, uma das mais respeitadas instituições hospitalares dos Estados Unidos; David Entwistle, presidente e CEO do Stanford Health Care; Mubaraka Ibrahim, diretora de Informação e Inteligência Artificial da Emirates Health Services, dos Emirados Árabes Unidos; e Paul Adlai B. Quitiquit, referência internacional em governança hospitalar e sustentabilidade em ambientes com restrição de recursos.
Além das sessões científicas tradicionais, a edição de Seul terá espaços voltados à demonstração prática de inovação. Um dos destaques será o i-to-i Innovation Hub, ambiente dedicado à apresentação de soluções tecnológicas que já vêm transformando a gestão hospitalar em diferentes países.
Também estão previstas visitas técnicas aos hospitais coreanos considerados referência mundial em automação, saúde digital, IA e integração tecnológica. A iniciativa permitirá que os participantes conheçam, na prática, alguns dos modelos hospitalares mais avançados da atualidade.
As visitas guiadas a alguns dos hospitais e instalações de saúde mais renomados de Seul serão realizadas nos dias 19 e 22 de outubro como parte do programa pré e pós-congresso. Estas visitas estão abertas exclusivamente aos participantes do congresso e oferecem uma oportunidade única de visitar e aprender com as principais instituições coreanas, incluindo:
- Asan Medical Center (Centro Médico Asan).
- Cha University Fertility Center (Centro de Fertilidade da Universidade Cha).
- Chaum Longevity Center (Centro de Longevidade Chaum).
- Ewha Womans University Seoul Hospital (Hospital da Universidade Feminina Ewha de Seul).
- Myongji Hospital (Hospital Myongji).
- National Cancer Center Korea (Centro Nacional do Câncer Coreia).
- Sejong Hospital (Hospital Sejong).
- Seoul National University Hospital (Hospital Universitário Nacional de Seul).
Outro destaque será o programa Young Executive Leaders (YEL), voltado para jovens gestores hospitalares de até 40 anos, além da tradicional cerimônia do IHF Awards Gala Dinner, que reconhece projetos e instituições de excelência em áreas como inovação, sustentabilidade e liderança.
Experiência
Para o Brasil, o congresso possui um significado que ultrapassa o intercâmbio científico. A Federação Brasileira de Hospitais (FBH) mantém posição de destaque dentro da estrutura de governança da IHF, sendo a única entidade brasileira com assento permanente e direito a voto no Conselho Administrativo (Governing Council) da organização.
Essa participação garante que as demandas, as experiências e os desafios do setor hospitalar brasileiro sejam levados diretamente aos fóruns internacionais, onde são discutidas tendências, diretrizes e estratégias para o futuro da saúde global.
O presidente da FBH, Dr. Reginaldo Teófanes, destaca que a presença brasileira no congresso representa uma oportunidade de fortalecer a capacidade de inovação dos hospitais nacionais e ampliar a inserção internacional do setor.
“O Congresso Mundial de Hospitais é hoje uma das mais relevantes arenas globais de construção de conhecimento e formulação estratégica para a saúde. A participação da FBH garante que o Brasil não apenas acompanhe essas transformações, mas também contribua ativamente para elas. Nossa missão é trazer para os hospitais brasileiros as melhores experiências internacionais em gestão, inovação, sustentabilidade e assistência, fortalecendo o setor e ampliando a sua capacidade de resposta aos desafios contemporâneos”, destaca Teófanes.
A atuação da FBH nas agendas da IHF também fortalece a presença do Brasil em debates relacionados à sustentabilidade hospitalar, transformação digital, qualificação da gestão e integração entre os sistemas público, privado e filantrópico.
Em um momento em que hospitais de todo o mundo enfrentam pressões simultâneas relacionadas a custos, escassez de profissionais, avanço tecnológico e mudanças climáticas, o encontro de Seul surge como um espaço estratégico para a construção de soluções compartilhadas.
Por Felipe Nabuco
Equipe Visão Hospitalar