Especialista da SBPC/ML alerta sobre a importância da pesquisa de sangue oculto nas fezes a partir dos 45 anos

Março Azul é um movimento dedicado à conscientização sobre a importância da prevenção do câncer colorretal, uma doença que afeta milhares de brasileiros a cada ano. Seguindo o protocolo das Sociedades Médicas de Coloproctologia, Endoscopia Digestiva e Gastroenterologia, a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML) recomenda a pesquisa de sangue oculto nas fezes, um método não invasivo essencial para o rastreamento precoce da doença que é a terceira causa de morte por câncer no Brasil.

De acordo com as estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca), entre 2023 e 2025, deve haver no Brasil mais de 135 mil casos de câncer colorretal, resultando em um desafio significativo para a saúde pública. A importância do diagnóstico precoce é destacada pelo trágico registro de mais de 21 mil vidas perdidas em 2021 devido a essa doença.

Paula Fernandes Távora, médica, especialista em Patologia Clínica e Medicina Laboratorial, membro titular e líder do Comitê de Testes Laboratoriais Remotos e ex-presidente da SBPC/ML, explica que o cenário é desafiador, pois evidencia a necessidade urgente de conscientização e acesso à prevenção. “O exame de sangue oculto nas fezes esta disponível na rede pública e privada e é uma ferramenta crucial no combate a essa doença. É um recurso atual para detectar precocemente alterações intestinais e encaminhar os pacientes para os exames complementares”, ressaltou.

Ainda de acordo com a especialista da SBPC/ML, recomenda-se a pesquisa de sangue oculto nas fezes, para mulheres e homens acima de 45 anos, sem história familiar de câncer do intestino e a partir de 40 anos para aqueles que têm história familiar. O estilo de vida desempenha um papel fundamental no desenvolvimento do câncer colorretal. “A alimentação desequilibrada, rica em carnes processadas e pobre em fibras, também é identificada como um fator de risco. O Inca, inclusive, destaca que idade, falta de atividade física, tabagismo e consumo excessivo de álcool também contribuem para o aumento das chances de desenvolver a doença”, destacou Paula Távora.

Os sinais e sintomas incluem sangue visível nas fezes, alterações intestinais (diarréia e prisão de ventre), dor abdominal, fraqueza, anemia, perda de peso sem causa aparente, alteração na forma das fezes (geralmente muito finas e compridas) e presença de massa na região abdominal. Segundo Paula, a cura é possível, especialmente quando a doença é detectada em estágios iniciais. “O diagnóstico precoce é muito importante porque existe claramente uma relação da extensão da doença com o resultado do tratamento. Os índices elevados de mortalidade podem ser revertidos a partir da combinação de fatores como a ampliação do acesso à saúde, a detecção e o tratamento em tempo oportuno e a conscientização da população sobre medidas de prevenção”, salientou a especialista da SBPC/ML.

Avanços recentes na prevenção

Há três anos, a Anvisa registrou e aprovou para uso no setor privado laboratorial o FIT Látex Quantitativo. Essa abordagem quantitativa na detecção de sangue oculto nas fezes marca um avanço na prevenção não invasiva. Quanto maior a quantidade de sangue identificada no exame, maiores são as chances de detectar alterações no cólon durante uma colonoscopia. “Se esse exame alcançar a população brasileira através do SUS, abrirá caminho para um diagnóstico precoce, reduzindo o desperdício de exames invasivos desnecessários. Isso proporcionará acesso generalizado, assistência descentralizada e, acima de tudo, salvará vidas”, ressaltou a especialista da SBPC/ML, acrescentando que o procedimento de inclusão dessa inovadora tecnologia no Conitec, ligado ao Ministério da Saúde, está em andamento.

Paula Távora reforça que “ao unir forças e promover a conscientização, prevenção e acesso à tecnologia inovadora, podemos enfrentar o desafio do câncer colorretal, revertendo índices elevados de mortalidade e salvando vidas. O Março Azul é um chamado à ação coletiva, destacando a importância de cuidar da saúde intestinal e garantir um futuro mais saudável para todos”, finalizou.