Pediatras chamam atenção para os quadros virais comuns nessa época

Verão, férias escolares, muitos pais aproveitam esse início de ano para programar uma viagem com os filhos ou simplesmente fazer passeios para aproveitarem momentos juntos, como ir à praia, ao clube ou ao cinema, por exemplo.

Imagine se depois de um dia de muita diversão, a criança começar a se sentir mal e apresentar um quadro de náusea e vômitos. Você não pensa duas vezes ao levá-lo para uma unidade de saúde. Chegando lá se depara com o diagnóstico mais ouvido nos consultórios: virose.

Apesar de existirem em todas as estações, elas são mais comuns no verão, como aponta a Dra. Aline Magnino, diretora médica do Prontobaby Hospital da Criança.

“Gastroenterites, arboviroses e a conjuntivites aparecem com mais frequência neste período. A maioria das gastroenterites está associada ao adenovírus, que também causa a conjuntivite, e aos enterovírus. Dentro das arboviroses temos os vírus da dengue, Zika e Chikungunya”, comenta a médica.

O que muita gente não sabe é que a transmissão se dá por diferentes formas, inclusive pela água, e por isso temos um alto índice nesta estação.

“A transmissão das gastroenterites e da conjuntivite acontece com facilidade por gotículas que saem da boca e do nariz, ou pelo contato com as fezes de pessoas contaminadas. Basicamente, mãos, objetos ou alimentos contaminados levados à boca são meios de transmissão da doença. As arboviroses, transmitidas pela picada do mosquito Aedes aegypti, tem sua circulação aumentada nos meses de maior temperatura e chuvas. Além disso, como são transmitidas pelo contato oral-fecal, ambientes com grande concentração de pessoas aumentam o risco de transmissão. Já a água do mar e da piscina, quando contaminadas, também são locais possíveis de se infectar”,  explica a Dra. Aline Magnino.

De acordo com a pediatra Fernanda Raquel Boedo, uma vez contaminadas, as mães precisam se atentar aos sintomas apresentados pelas crianças.

“As gastroenterites agudas (GEA) causam diarreia, náuseas, vômitos e dor abdominal, podendo ainda apresentar febre. As conjuntivites se manifestam por hiperemia ocular (olho vermelho) com secreção, prurido (coceira) e sensação de ‘areia nos olhos’.  As arboviroses podem ter um quadro semelhante a GEA, porém associadas à prostração, dor no corpo e articulações, e febre elevada. Podem ainda apresentar rash cutâneo (manchas vermelhas na pele)”, comenta a Dra. Fernanda Boedo. 

É importante lembrar que nesse período de férias e viagens, a atenção deve ser redobrada em relação à hidratação, uso de repelente, consumir alimentos frescos e leves – sempre bem higienizados. A maioria dessas viroses é autolimitada e se resolve sem medicação específica em até sete dias.

“O importante é manter a hidratação adequada, repouso em ambientes arejados e em casos específicos pode ser necessário analgésicos e antitérmicos. Se houver complicações, como desidratação, diminuição da diurese, vômitos incoercíveis, boca seca, sonolência, e sangramentos, deve ser procurado o serviço de saúde mais próximo. Nas conjuntivites também é recomendado uma avaliação pelo oftalmologista se os sintomas de secreção purulenta ou alteração visual não passarem depois de sete dias”, sugere a Dra. Aline Magnino.

Para a Dra. Fernanda Raquel Boedo, o principal cuidado é ficar de olho na água e alimentos oferecidos às crianças.

“A prevenção das arboviroses é feita através do controle do mosquito vetor da doença, evitando acúmulo de água parada, com uso de repelentes nos ambientes abertos e telas em janelas e portas. Já a redução do risco das gastroenterites pode ser feita com medidas de higiene, como lavar as mãos com água e sabão antes e depois de ir ao banheiro, e ao se alimentar. Frutas e legumes devem ser higienizados com água corrente e deixados de molho em solução com água sanitária própria para alimentos. Medidas como não deixar recipientes fora da geladeira por muito tempo e ficar atento ao prazo de validade também ajudam na prevenção. Mau cheiro ou mudanças de cor também podem indicar risco de alimentos em decomposição. Quando as refeições forem feitas fora de casa, recomenda-se que sejam em lugares de confiança”, finaliza a especialista que é coordenadora médica do Prontobaby Hospital da Criança.