Diante dessas projeções, uma inovação em lentes que “controlam” o problema podem ser a solução para a patologia

Infelizmente a miopia está ganhando terreno em todos os países desenvolvidos, com o crescente número de pessoas diagnosticadas com a patologia, de maneira especial o público infantil. Para lutar contra essa doença, uma “epidemia silenciosa”[J1] [DRC2] , fabricantes de lentes investem na produção de tecnologias corretivas que ajudam a retardar a progressão dessa condição em crianças.

A oftalmologista Carolina Paes, especializada em estrabismo e oftalmopediatria, destaca que as lentes para progressão de miopia são uma novidade no controle desta patologia na infância. “Devido ao uso excessivo de telas e a diminuição da exposição ao ar livre, as crianças vêm se tornado míopes cada vez mais precocemente. O mais alarmante é que uma vez míope, a tendência é aumentar o grau a cada ano”, explica a oftalmologista.

Essas lentes oftálmicas especiais usam o que é chamado de tecnologia de desfoque periférico (DIMS). A principal vantagem de usar esse tipo de tecnologia é unir a necessidade do uso de óculos com uma lente que ajuda também a controlar a progressão da miopia. “Em ambos os casos, a lente não ajuda apenas a corrigir a miopia, mas, mediante modificações em suas extremidades, contribui também para que o globo ocular se alongue menos, o que leva ao controle da progressão do problema.”, destaca Carolina Paes.

De onde vem a miopia? A miopia se manifesta por uma alteração no diâmetro do globo ocular, que faz com que os raios de luz atinjam a retina de forma incorreta. Ao invés de se concentrarem nos tecidos nervosos na parte de trás do olho (retina), eles focam à sua frente, o que deixa os objetos de longa distância borrados.

A Rodenstock, líder global em tecnologia óptica, vem apresentando ao longo deste ano suas lentes MyCon (Myopia Control), que chega ao mercado como uma solução para o controle da progressão da miopia em crianças e jovens. Desenvolvidas a partir de um estudo clínico independente, de longo prazo e que analisou a progressão da miopia em crianças europeias com idades entre 6 e 14 anos, cujo perfil anatômico ocular é semelhante ao das crianças brasileiras, as lentes de óculos MyCon podem retardar a progressão da miopia em até 50%, em comparação com as lentes monofocais tradicionais e são adequadas para todas as crianças, independentemente do nível do problema. Levando em consideração que o estudo foi realizado em período pré-pandemia e com crianças não asiáticas, este percentual representa um resultado expressivo na regressão da progressão do problema.

“As zonas de progressão laterais, presentes nas lentes MyCon, são diferenciadas dos demais produtos do mercado. Fazem com que a luz seja difusa no modo que atinge a periferia na frente da retina, e não atrás dela, contribuindo para retardar o crescimento do comprimento dos olhos ao mesmo tempo que garantem que a acuidade visual acima e abaixo sejam afetadas o mínimo possível”, explica a oftalmologista.

A indicação do uso das lentes Mycon se faz para crianças de 6 até 14 anos de idade. A vantagem de se iniciar o tratamento o mais rápido possível é que a criança, e o adolescente, que esteja clinicamente indicado a usar óculos para corrigir a miopia, utilize um único produto que faz as duas funções – corrige e trata a patologia. É um avanço significativo de resposta para o paciente.

As lentes MyCon da Rodenstock (www.rodenstock.com.br) estão disponíveis em uma variedade de materiais e antirreflexos e podem, portanto, ser adaptadas de forma flexível a diferentes tipos de armação e necessidades. Mais importante, elas poderão ser mais finas e mais leves do que muitas outras lentes para miopia no mercado e apresentam versões com preços ainda menores.

Sobre “Epidemia silenciosa”

A Organização Mundial da Saúde (OMS) advertiu que a doença é uma “epidemia silenciosa”. Cerca de metade da população mundial será míope em 2050, de acordo com as projeções atuais. Alguns especialistas explicam a progressão recente da patologia, devido às medidas anticovid, que levaram crianças e adolescentes a ficarem muito tempo dentro de casa, ou em frente às telas. A perda de dioptrias em crianças não causa apenas problemas de visão que devem ser corrigidos regularmente. No longo prazo, pode levar a riscos mais graves, como descolamento de retina, glaucoma, ou catarata precoce.