UPA do Maranhão é pioneira no país ao conquistar o Selo Fundamento de forma gratuita
A Organização Nacional de Acreditação (ONA) está ampliando o acesso à qualidade e à segurança do paciente no Brasil. É a primeira no setor de acreditação que passa a oferecer gratuitamente o Selo Fundamento para instituições de saúde de todo o país, independentemente do porte ou da localização. A iniciativa representa o primeiro passo para organizações que desejam estruturar seus processos e, futuramente, avançar para a acreditação.
A UPA do Parque Vitória do Maranhão é a primeira organização de saúde do Brasil a receber gratuitamente o Selo Fundamento, tornando-se o primeiro case da nova iniciativa da ONA. “Este selo representa uma porta de entrada para a qualidade e a segurança do paciente. Ao tornar essa iniciativa gratuita, a ONA amplia a possibilidade de que organizações de diferentes portes tenham acesso a uma metodologia estruturada para começar essa jornada e construir bases sólidas para uma futura acreditação”, afirma dr. Péricles Góes da Cruz, superintendente técnico da ONA.
O primeiro passo para a acreditação – O Nível Fundamento reúne requisitos essenciais para ajudar as instituições de saúde a dar os primeiros passos na construção de uma cultura voltada à qualidade e à segurança. Mais do que cumprir critérios, a proposta é apoiar as equipes na organização dos processos e na criação de uma rotina de melhoria contínua.
“No início da jornada, a ONA foca em pontos fundamentais do dia a dia da instituição, como conformidade, segurança, gestão, estratégia, fluxos de atendimento, pessoas e cultura. Avaliamos também aspectos como responsabilidades técnicas, gestão da qualidade, planejamento, capacitação das equipes e a forma como os processos estão organizados”, esclarece Gilvane Lolato, gerente geral de Operações da ONA.
Para a ONA, um dos principais objetivos do Nível Fundamento é fazer com que a segurança esteja presente no cotidiano, envolvendo tanto os profissionais que estão na linha de frente do cuidado quanto os pacientes. Durante todo o processo são abordadas questões como identificação correta do paciente, comunicação entre as equipes, uso seguro de medicamentos, prevenção de infecções, redução de quedas e lesões por pressão e prevenção de erros de diagnóstico.
Pioneira no país –. A experiência pioneira também foi vista pela EMSERH (Empresa Maranhense de Serviços Hospitalares) como uma oportunidade de testar um novo modelo de gestão que pudesse ser levado para outras unidades. Para Marcello Duailibe, presidente da (EMSERH), receber o Selo Fundamento representa mais do que um reconhecimento. “É motivo de muito orgulho. Mostra que é possível uma unidade de saúde pública mudar sua realidade por meio da gestão, do compromisso e do trabalho sério. Isso vai impactar diretamente a população”, afirma.
Foco na jornada do paciente – Uma das principais mudanças foi a implantação da análise crítica dos indicadores dos processos e de ferramentas de auditoria interna, principalmente na área assistencial. “Todos os processos foram revistos. Alguns foram atualizados e outros completamente redesenhados, sempre com foco na jornada do paciente”, afirma Marcello.
A identificação do paciente, a comunicação entre profissionais, o uso de medicamentos, a prevenção de infecções e os riscos de quedas também passaram por mudanças. Um exemplo citado pelo presidente envolve a identificação de alergias. “Antes, essa informação não aparecia de forma destacada no momento da transição do consultório para a sala de medicação. Com a revisão do processo, o registro passou a ser feito no prontuário eletrônico e nos documentos e telas utilizados pela equipe da sala de medicação. Criamos também uma matriz para gerenciamento de riscos, incluindo não apenas os riscos assistenciais com os operacionais, com planos de ação específicos”.
Mudanças que chegam a quem precisa de atendimento – Na avaliação do presidente, as mudanças implementadas na unidade já podem ser percebidas por quem está do outro lado do balcão: o paciente. “Quando olhamos para a série histórica, percebemos que os pacientes estão sendo atendidos com mais celeridade. A gestão dos insumos também ficou mais precisa e cuidadosa, o que ajuda a evitar a falta de materiais, garante melhores condições para o atendimento e mais segurança”, afirma.
No início, equipe temia aumento da carga de trabalho – A implantação do projeto também passou por um desafio comum em processos de mudança: a resistência inicial de parte da equipe. Segundo Duailibe, alguns profissionais chegaram a temer que a iniciativa trouxesse uma carga adicional de trabalho para uma rotina que já era intensa, como se fosse uma espécie de “dupla jornada”. “Tudo foi construído a quatro mãos. Não foi uma proposta criada pela equipe do projeto e simplesmente levada para dentro da UPA. O resultado só acontece quando todos participam, entendem o propósito e ajudam a construir as mudanças”, explica.
Aos poucos, porém, essa percepção começou a mudar. “Ao vivenciarem os resultados no dia a dia e perceberem que muitos dos novos processos já estavam incorporados à rotina, os profissionais passaram a enxergar o projeto de outra forma: não como uma tarefa adicional, mas como uma maneira de organizar o trabalho e tornar o atendimento mais seguro e eficiente”, ressalta o presidente.
Maranhão quer levar o selo para outras unidades – A experiência da primeira UPA deverá ser replicada na rede. A EMSERH administra mais de 100 unidades e, segundo Marcello, a estratégia agora é fortalecer primeiro as bases de gestão antes de avançar para os níveis seguintes de acreditação.
“Antes, nosso planejamento era um projeto de médio prazo para toda a rede, visando implantar um sistema de gestão e chegar ao nível 1. Hoje, pretendemos primeiro deixar uma base sólida de gestão com o Selo Fundamento em rede”, afirma.
Segundo Duailibe, o selo Fundamento será uma motivação para a equipe mostrar que é possível. Não queremos que seja um projeto de dois anos. Queremos que seja um projeto de alguns meses ou um ano para conquistar um reconhecimento e, depois, seguir avançando”, explica.
Um exemplo de inspiração para outras unidades – Ao avaliar os resultados do projeto, Marcello acredita que a experiência da UPA pode inspirar outras unidades de saúde, sejam públicas ou privadas. Para ele, o caso mostra que é possível melhorar a gestão dos recursos, elevar a qualidade do atendimento e ampliar a segurança dos pacientes com organização, dedicação e comprometimento das equipes.
O principal aprendizado, segundo o presidente, é que a transformação não depende necessariamente de grandes investimentos ou estruturas complexas. “Não precisa de uma megaestrutura, mas de uma equipe comprometida”, finaliza Duailibe.
Para acessar ao Selo Fundamento, basta clicar neste link https://ona.org.br/jornadas/melhoria-continua