Uma investigação no Reino Unido indica que a doença de Alzheimer pode ser transmitida acidentalmente por meio de tratamentos médicos.
Uma descoberta chocante no campo da neurociência sugere que a doença de Alzheimer poderia ser transmitida acidentalmente através de tratamentos médicos, de acordo com um estudo recente no Reino Unido. O DrFabiano de Abreu Agrela, Pós PhD em Neurociências e membro da Society for Neuroscience, oferece uma visão especializada sobre o assunto.
“Foi observada a transmissão humana da patologia da beta-amilóide e da angiopatia amilóide cerebral (CAA) em jovens adultos que morreram de doença de Creutzfeldt-Jakob (iCJD) após tratamento na infância com hormônio de crescimento derivado de cadáveres contaminado com príons CJD e sementes de beta-amilóide. Isso levanta a possibilidade de que receptores de hormônio de crescimento que não morreram de iCJD possam desenvolver a doença Alzheimer (DA). O estudo sugere que, assim como o CJD, a DA pode ter formas adquiridas ambientalmente, além de formas esporádicas de início tardio e formas herdadas de início precoce.” Inicia DrFabiano de Abreu Agrela
O estudo, que investigou o uso de hormônio de crescimento contaminada com a proteína beta amilóide, sugere que pacientes tratados com hormonas extraídas de glândulas pituitárias de cadáveres podem ter desenvolvido Alzheimer acidentalmente. “Esta descoberta é preocupante e levanta questões sobre os métodos de tratamento do passado”, afirma o DrAgrela.
“Os hormônios de crescimento eram extraídos de cadáveres porque, na época, era um dos métodos disponíveis para obter tais hormônios em quantidade suficiente para o tratamento. A tecnologia de DNA recombinante, que permite produzir hormônio de crescimento em laboratório, ainda não estava disponível ou amplamente implementada. Assim, as glândulas pituitárias de cadáveres eram uma fonte primária para a obtenção desses hormônios.” Explica DrAgrela
DrAgrela enfatiza a importância de procedimentos médicos seguros e o rigor na seleção de tratamentos para evitar riscos como esse. “Isso nos mostra a necessidade de uma revisão contínua e rigorosa dos protocolos médicos”, comenta. A pesquisa sugere que procedimentos médicos, interrompidos em 1985, podem ter contribuído para a incidência de Alzheimer sem fatores de risco conhecidos. “Essas descobertas são um lembrete crucial para a comunidade médica sobre as implicações a longo prazo de nossas intervenções”, acrescenta o DrAgrela.
Esta descoberta ressalta a necessidade de uma avaliação cuidadosa dos riscos e benefícios de tratamentos médicos, especialmente aqueles que envolvem materiais biológicos. A comunidade científica, segundo o DrAgrela, deve continuar a pesquisar e aprimorar práticas para garantir a segurança e o bem-estar dos pacientes.
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