Saúde mental em alerta: Brasil vive “pandemia de exaustão”, aponta especialista

Capacitação emergencial do SUS e avanço da NR-1 expõem colapso no cuidado com ansiedade e depressão e pressionam empresas a agir

 

A recente decisão do Ministério da Saúde de implementar um curso de 20 horas para capacitar equipes da Atenção Primária à Saúde (APS) no manejo de casos leves de depressão e ansiedade representa, na prática, o reconhecimento oficial de um estado de emergência nacional em saúde mental.

 

Para o psicanalista e especialista em neurociência aplicada Mario Lopes, o Brasil não enfrenta apenas um aumento pontual de diagnósticos, mas vive uma verdadeira “pandemia de exaustão”, que exige intervenção imediata tanto do setor público quanto do privado.

 

Brasil no epicentro da crise

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) já apontavam o Brasil como o país mais ansioso do mundo, com cerca de 9,3% da população — mais de 18,6 milhões de pessoas — sofrendo de transtornos de ansiedade. O país também lidera os índices de depressão na América Latina, com 546 mil afastamentos do trabalho. As informações são referentes aos anos de 2023 e 2025, respectivamente.

“O fato de o SUS precisar capacitar médicos de família e enfermeiros para o que chamam de ‘casos leves’ prova que o sistema especializado colapsou. Mas não existe ‘ansiedade leve’ para quem está perdendo o sono e a produtividade. O que o governo está fazendo é tentar conter a base de uma pirâmide que está prestes a ruir”, alerta Mario Lopes.

 

A urgência e o ‘relógio da NR-1’

Lopes, ressalta que essa crise tem data para impactar diretamente as empresas. Em maio de 2026, entram em vigor as penalidades pelo descumprimento da NR-1 (Norma Regulamentadora nº 1), que exige o levantamento e a mitigação de riscos psicossociais no ambiente de trabalho.

“Uma reportagem publicada recentemente na Folha de S. Paulo é o validador que faltava para os gestores. A saúde mental deixou de ser ‘benefício’ e passou a ser compliance e sobrevivência operacional. Quem não cuidar da saúde mental dos colaboradores agora terá de lidar, amanhã, com passivos trabalhistas e altos índices de absenteísmo”, explica o especialista.

Prevenção: a única saída para evitar o colapso

Mario Lopes defende que a prevenção é o único caminho para impedir que o cenário evolua para uma pandemia incontrolável. Segundo ele, a solução passa pela Reconexão. Por meio da iniciativa Reconexão Essencial, o especialista promove a integração entre neurociência, fisiologia e práticas de regulação emocional, com foco em interromper estados de hipervigilância antes que se transformem em patologias graves.

“A saúde mental precisa ser cuidada em todos os ambientes: no trabalho, na família e na vida pessoal. O treinamento do SUS é um passo importante, mas a responsabilidade individual e corporativa de buscar métodos que regulem o sistema nervoso é o que pode evitar o colapso total da nossa força de trabalho”, finaliza.