Transformação digital na saúde impulsiona gestão estratégica de ambientes em Nuvem

Crescimento do modelo multicloud reforça a necessidade de mais controle, integração e previsibilidade nas operações hospitalares

A transformação digital na saúde impulsiona, direta e indiretamente, a demanda por armazenamento e processamento de dados em ambientes de nuvem. Isso ocorre porque prontuários eletrônicos, ERPs, sistemas de imagem e plataformas de telemedicina operam, cada vez mais, em infraestruturas de nuvem privada. Nesse contexto, a gestão eficiente desses ambientes segue como um dos principais pontos de atenção para a sustentabilidade operacional dos hospitais.

De acordo com a Healthcare Information and Management Systems Society (HIMSS), a maturidade digital das instituições de saúde está diretamente relacionada à capacidade de integrar, proteger e monitorar sistemas em tempo real. Essa necessidade se intensifica à medida que as organizações adotam estratégias multicloud.

Ainda, segundo o relatório “Cloud Survey: Multicloud Adoption Remains the Norm”, da Gartner, publicado em 2024, a contratação de serviços de infraestrutura e plataforma junto a múltiplos provedores já é uma realidade consolidada. A consultoria também aponta que os investimentos em infraestrutura de cloud seguem em ritmo acelerado (aumento de 72%) em 2025, refletindo a priorização estratégica desses ambientes nas agendas corporativas. Embora esse modelo amplie flexibilidade e escalabilidade, reduza pontos de falhas, aumenta também a complexidade da governança, da integração e do controle operacional.

No ambiente hospitalar, essa complexidade assume contornos ainda mais sensíveis, uma vez que interrupções impactam diretamente no cuidado ao paciente. Saulo Lima, diretor da Flowti, empresa especializada em infraestrutura de TI para negócios de missão crítica, explica que “a nuvem deixou de ser apenas infraestrutura. Ela passou a ser parte essencial da jornada assistencial. Uma falha de governança pode afetar desde o faturamento até a segurança clínica”.

A segurança é outro fator central nesse cenário. O setor de saúde permanece entre os mais impactados por incidentes cibernéticos no mundo, com um dos custos médios mais elevados por violação de dados. Em ambientes cloud distribuídos entre diferentes fornecedores, a ausência de monitoramento contínuo, gestão de custos em nuvem (finops), políticas claras de controle de acesso e gestão estruturada de contratos podem ampliar significativamente a superfície de risco.

Além disso, podem ocorrer impactos financeiros e operacionais. “Hospitais que não possuem governança estruturada de cloud frequentemente enfrentam custos imprevisíveis e subutilização de recursos. A gestão ativa permite otimizar contratos, revisar arquiteturas e garantir performance alinhada às demandas assistenciais”, destaca Lima.

Outro ponto de atenção é a integração entre fornecedores. Hospitais operam com múltiplos sistemas, prontuário eletrônico e plataformas de interoperabilidade. A gestão terceirizada da nuvem exige coordenação técnica entre diferentes fornecedores, garantindo disponibilidade, compliance regulatório e aderência à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Nesse contexto, cresce a demanda por parceiros especializados na governança de ambientes cloud em saúde. Afinal, ao contar com o suporte especializado, torna-se possível reduzir riscos operacionais e aumentar a previsibilidade do ambiente tecnológico.

Para o diretor da Flowti, a utilização de nuvens terceirizadas na saúde deve ganhar ainda mais relevância nos próximos anos. “A digitalização hospitalar é irreversível. Mas não basta migrar para a nuvem. É preciso governar, monitorar e planejar continuamente. A gestão estruturada de cloud terceirizada ‘surge’ como um diferencial competitivo e, principalmente, um fator de segurança assistencial”, finaliza.

Assim, em um setor onde segundos podem impactar desfechos clínicos, contar com eficiência da infraestrutura tecnológica deixa de ser “secundário” e passa a ocupar uma posição estratégica na sustentabilidade das operações hospitalares.